Atores do Cirquinho do Revirado participam do projeto em busca dos 40 dias sem comer

O Artista da Fome”, descrito por eles como o mais desafiador de suas carreiras.

Os atores do Grupo Cirquinho do Revirado, Yonara Marques e Reveraldo Joaquim, iniciaram no dia 15 de fevereiro, o projeto “O Artista da Fome”, descrito pelos experenciadores como o mais desafiador de suas carreiras. Agora, apenas Reveraldo vai ao seu extremo: 40 dias sem comer. Nestes 16 dias, a única coisa ingerida pelos artistas foi água. Para a segurança, há orientação médica durante o projeto, com acompanhamento dos batimentos cardíacos e pressão. No dia, 26 de março, os atores promovem uma live com duração de 24 horas, acompanhados pelo ator e editor técnico Fábio Murillo.

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Yonara ficou 15 dias em jejum, e por consequência as dores físicas e o desgaste psicológico, fez com que cedesse a vontade de se alimentar. Reveraldo, entrou ontem, 2, em seu 16º dia de fome, segue recebendo energia apenas de quem os acompanha nas redes sociais.

“O jejuador é um ser tranquilo, não passa fome. Existe uma tranquilidade e uma satisfação neste ato. Não existe dor e nem sacrifício, o que eu vinha sentindo nos últimos dias. Então cesso com o jejum por aqui, mas continuo. Deixo de jejuar de comida, mas seguirei como Artista da Fome em suas camadas”, conta Yonara.

Segundo ela, a representação deste final, foi o consumo de uma cebola, uma metáfora para a conclusão da experimentação de forma amarga, mas conforme ela, vitoriosa. “A minha fome vem só do alimento mesmo? Ou mistura-se tudo? Uma cebola tem diversas camadas até chegarmos ao miolo. Com uma tábua e uma faca na mão, eu poderia ter ao menos descascado. Mas este ato representa o ímpeto, o impulso à sensação que eu estava no momento de quebrar o jejum. É um alimento que tem amargor, que arde e encerra esta experiência sem o sabor. Não é este o prazer. Não é a falta do alimento em si, é um desgaste que vem de dentro”, confidencia.

O retorno à rotina de alimentação da artista será aos poucos, com ingestão de alguns alimentos sem sabores. Ela segue no projeto provocando reflexões e auxiliando o Artista da Fome. 

Já são 16 dias em jejum

Até aqui, Reveraldo também sente algumas fadigas físicas, mas segue firme e com seu espírito mais forte. “A sensação de fome já não existe mais, agora ela é um estado único. O acompanhamento das horas, que se tornou diferente para nós até aqui, foi mais saboreado. Eu não quero que o tempo passe rápido. Muito pelo contrário. O desejo é sentir cada respiração e se alimentar deste tempo”, explica Reveraldo.

As maiores dificuldades do ator também se encontram em tempos marcados. Sábados, domingos e horários das refeições faz com que o jejum se torne ainda mais dolorido. Reveraldo também lembra que esta realidade, da reclusão social e da fome e de outros sentimentos trazidos por ela, é vivida por muitas pessoas em meio à pandemia.

“Faz com este jejum seja mais dolorido ainda. A experiência serve tanto para nós, Yonara que chegou até aqui e eu que sigo, quanto para as pessoas que vem nos questionar, demonstrar preocupação ou apenas curiosidade. É esta provocação ao pensamento que buscamos. Será que de fato elas estão aflitas com nosso jejum? mas porque não se preocupam com as outras milhões que passam fome?”, enfatiza.

 Até lá, o estado de Reveraldo segue sendo compartilhado por meio do “Diário da Fome”, uma série de cartas públicas, produzidas diariamente pelo escritor Luan Marques Joaquim e disponíveis no Instagram e no Facebook. Eventualmente, o grupo divulga pequenos vídeos ou entradas ao vivo, com pouca interação social, para partilhar com a audiência os desafios e percepções sobre esse processo jejuativo.

A intervenção audiovisual “O Artista da Fome” é um projeto de experimentação artística, contemplado e viabilizado pela Lei Emergencial Cultural Aldir Blanc (Lei n.º 14.017/2020), por meio da Fundação Cultural de Criciúma.

 “O Artista da Fome”

Sob direção de Reveraldo, o experimento faz relação com o livro quase homônimo “Um Artista da Fome”, do renomado escritor tcheco Franz Kafka, falecido em 1924. A fome de comida é também uma referência à escassez de arte e da “alimentação artística”, especialmente durante o período de pandemia da Covid-19.

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