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A mais bela homenagem

Para o Dia dos Pais, o presente que não se encontra em loja

Quando nascemos, no mais absoluto desamparo, figuras fundamentais dão conta de nos manter em vida. As que mais frequentemente assumem esse papel atendem por dois singelos monossílabos: mãe e pai.

Um parêntese. Considerando a diversidade das famílias, essas funções nem sempre são referidas especificamente a uma mulher e um homem. O mais adequado seria falar em função materna e função paterna, que, em termos psicanalíticos, podem ser assumidas por qualquer pessoa independentemente de gênero. Mas, como simplificação retórica, aqui chamo apenas de mãe e pai.

À mãe, que gesta e dá à luz, atribui-se também simbólica e culturalmente a função de acolher, cuidar e suprir necessidades afetivas. Ao pai, compete a proteção e a garantia da subsistência, inclusive em aspectos materiais. É evidente que ambos fazem muito mais que isso e se alternam e complementam nessas funções.

Como estamos às vésperas do Dia dos Pais, é sobre a figura do pai que faço uma breve reflexão.

Repito: a perspectiva aqui é simbólica. Proteger implica um aparente duplo sentido. De um lado, representa cuidado. De outro, imposição de limites. Sim versus não. Liberdade versus castração. Não por acaso é tão comum uma posição psíquica paradoxal (inconsciente) em relação ao pai.

Aquele que protege também detém as qualidades da força e da sabedoria, afinal, é ele quem atua como escudo perante as forças contrárias do mundo e conhece os caminhos mais seguros.

Tudo estaria bem se a criança totalmente desamparada, depois dessa fase inicial, pouco a pouco fosse assumindo a capacidade de caminhar com as próprias pernas e de se defender, dentro do possível, com as próprias forças. Só que nem sempre é assim. Às vezes, a postura de dependência se arrasta por uma vida inteira. Sair desse lugar nem sempre é fácil ou confortável, mas necessário.

Contar com um pai salvador é privilégio. Deixar a vida passar e esperar passivamente pela ação de um pai salvador é imaturidade. Isso vale também para a vida coletiva, em qualquer área, da religião à política.

Nesse Dia dos Pais, talvez a mais bela homenagem a quem exerceu essa função seja mostrar que, com a ajuda dele, aquela criança cresceu.

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Fábio Cadorin (@fabiocadorin) é psicólogo, jornalista, professor e doutor em Ciências da Linguagem. Nesta coluna quinzenal fala sobre saúde mental e impactos da cultura sobre o psiquismo.

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