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“Turbulência na política não atrapalha retomada econômica”, diz novo presidente da Facisc

A Federação das das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) tem novo presidente, que é o empresário Sérgio Rodrigues Alves. Com uma longa carreira empresarial, com passagem pela presidência da Celesc, Associação Empresarial de Joinville (Acij) e Câmara de Assuntos Tributários da Federação das Indústrias de SC (Fiesc), também teve passagem pelo lado governamental, onde atuou como Secretário da Fazenda.

Eleito para comandar uma das Federações mais representativas no campo econômico e produtivo do estado, Sérgio Alves aposta na satisfação do associado para ampliar as atuações dentro de alguns pilares que elencou como essenciais para o desenvolvimento econômico de Santa Catarina, como capacitação e modernização.

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Em entrevista a Coluna Pelo Estado, Alves mostra como que a Federação pretende contribuir, já nas eleições de novembro, para o desenvolvimento empresarial no âmbito municipal, replicando projeto que funcionou em 2018, o Voz Única, agora com uma versão local.

 

[Pelo Estado] – Em 2018 a Facisc lançou aos candidatos ao governo o programa Voz Única, que reunia as demandas e anseios dos empresários. Para este ano de eleições municipais, a Federação também tem alguma proposta neste sentido?

Sérgio Alves – A Facisc tem um trabalho que eu reputo da maior importância, que é o voz única. Que é onde se levanta todas as demandas do município e da região e que serve como um balizamento até para os candidatos políticos. Nós estamos fazendo esse trabalho, agora, no âmbito municipal. A essência de todo esse projeto do Voz Única é no nível estadual. Na última campanha ao governo nós encaminhamos ao governador Moisés e aos demais candidatos. Naquela oportunidade era um documento único com demandas para todo o estado. No caso dos municípios é feito um documento específico para cada município ou região. A demanda parte do município e a formação, orientação é feita pela Facisc e disponibilizado ais candidatos de cada prefeitura.

Algumas dessas demandas, que surgiram na elaboração do primeiro documento, afetam todo o estado e também são relacionadas neste momento aos municípios. A principal delas é a questão da infraestrutura. Eu diria que essa é uma questão que afeta 70% das intenções do estado e dos municípios. Outras demandas estão relacionadas à Segurança, Saúde e Educação.

 

[Pelo Estado] – E como você avalia a execução do Voz Única pela atual administração do Estado?

Sérgio Alves –  Justiça seja feita, o governador Carlos Moisés viu essas propostas, gostou, e todo esse trabalho tem funcionado como uma bússola, dentro das limitações de recursos, mas temos que reconhecer que o governo tem feito esforço para atender as demandas regionais. E basicamente da área de infraestrutura.

 

[Pelo Estado] – Como a Facisc trabalha a retomada econômica?

Sérgio Alves –  Eu acho que ainda existe uma carência em termos de crédito para as empresas. Esta semana que passou mesmo foi aprovado pelo Senado uma Medida Provisória de R$ 20 bilhões que serão disponibilizados para as pequenas e microempresas. Nós estamos vendo e sentindo que está existindo uma retomada. Na semana passada mesmo participei de uma reunião com a diretoria da SC Gás a convite da Federação das Indústria [Fiesc], na qual se colocava que em função dessa inicial retomada já existe uma apreensão, uma preocupação, com a possibilidade de falta de gás para as indústrias. Isso é um reflexo da carência e da necessidade de investimento nessas matrizes de energia, e de também de infraestrutura para isso. Nós da Facisc, por razões óbvias de sermos empresários, industriais, estamos bastante atentos e procurando dar todo apoio e retaguarda, acompanhando todos esses movimentos de retomada. A pandemia ainda existe. Nós temos que manter esses protocolos todos com relação a prevenção, não podemos esquecer isso. Não acabou a pandemia. Estamos bastante atentos e procurando dentro daquilo que temos condições de ajudar, de fazer, pelos empresários, seja pequeno, médio ou grande, nós estamos atuando.

 

[Pelo Estado] – Recentemente foi aprovado o novo marco legal do gás. O setor chegou a debater a expansão da nossa malha de abastecimento, de levar essa rede mais para oeste do estado?

Sérgio Alves –  Nós estamos bastante por dentro dessa discussão e um dos motivos dessa reunião foi justamente para pedir apoio das entidades empresariais no sentido de sensibilizar o governo federal, estadual, os órgãos de regulação para a importância e necessidade do investimento em alternativas de energia no curto prazo Eu vi números que surpreenderam. O GNV veicular, por exemplo, tem praticamente 100 mil usuários. A possível falta de gás se torna uma necessidade de interesse público. Em vista desse apelo, a nossa participação passa por essa sensibilização e desse apelo aos órgãos para mostrar o tamanho dessa necessidade.

 

[Pelo Estado] – Senhor já passou pelo governo, como secretário da Fazenda, foi presidente da Celesc, presidiu a Associação Empresarial de Joinville e a Câmara de Assuntos Tributários da Fiesc. Qual será o maior desafio a frente da Facisc?

Sérgio Alves –  Eu acho que tive a felicidade de acumular uma série de conhecimentos, adquiri uma bagagem empresarial, e agora é o momento de transferir, contribuir de alguma forma, com esse conhecimento. Eu posso dizer que já estive dos dois lados do balcão, como empresário, presidente de pequenas e grandes empresas, e também já estive do lado do governo, como secretário da Fazenda. Para mim é uma honra encerrar esse ciclo de contribuição ao associativismo na presidência da Facisc. Meu maior desafio é sempre buscar a satisfação do associado. Eu elenquei cinco pilares que acredito ser fundamental para desenvolvimento do sistema Facisc. Nós temos uma representatividade muito importante, seja no âmbito federal, estadual, e também no municipal. Então essa representatividade da Facisc é muito importante. Só para você ter uma dimensão disso, nós estamos em 148 dos 295 municípios de Santa Catarina. Estamos em todas as regiões. Temos mais de 34 mil associados, mas o nosso grau de atuação envolve praticamente 2 milhões de catarinenses. Os cinco pilares englobam essa representatividade, capacitação, desenvolvimento de novas soluções empresariais e projetos, entre outros.

 

[Pelo Estado] – Como percebe o atual momento político catarinense, temos os processo de impeachment contra o governador em curso, o senhor acredita que a desestabilização política afeta diretamente o setor produtivo?

Sérgio Alves – Tem duas leituras aí que são importantes serem feitas. Nunca é bom para nenhum estado passar por um momento como este de impeachment. Primeiro que paralisa as iniciativas da parte pública. Hoje as demandas de infraestrutura pública correm o risco de ficarem em stand by até que se resolva algumas coisas. A outra leitura é a parte empresarial de fato. Aqui em Santa Catarina, até por conta da nossa diversificação econômica, a nossa classe empresarial é muito independente, muito bem resolvida, e não depende de governo. Dependemos dessas questões, que são as estradas, infraestrutura, mas na parte de negócios nossos empresários dependem muito pouco do poder público. Então nesse sentido, independente do impeachment, a nossa classe econômica vai tocando. Mas é claro que isso sempre causa uma situação desgastante para o Estado. Uma empresa que quer se instalar no estado, por exemplo, acaba colocando o pé no freio, porque isso muitas vezes demanda de conversas com o governo, até mesmo na parte de concessão de algum incentivo. Então, de fato, isso não bom para estado. Mas em termos econômicos vamos muito bem obrigado.

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