Senta que lá vem história- Wi-Fi foi inventado por uma atriz de Hollywood? Como surgiu a internet sem fio?

A Internet Wi-Fi está presente no dia a dia de diversas pessoas, mas você sabia que uma atriz de cinema esteve envolvida no processo que levou à criação da tecnologia? Por trás da história da conexão wireless, existem algumas curiosidades que podem ser desconhecidas para os usuários. Uma delas é que a sigla Wi-Fi não possui qualquer significado em particular.

Outro fato curioso é que a conexão quase foi batizada de DragonFly. Na coluna de hoje, você vai ficar sabendo de algumas curiosidades sobre a Internet sem fio.

As ideias de Wi-Fi iniciaram mesmo com uma atriz de Hollywood? Não diretamente. Entretanto, estudos de Hedy Lamarr, nome artístico de Hedwig Eva Maria Kiesler, atriz austríaca radicada nos Estados Unidos, deram origem a sistemas de comunicação via rádio, como a telefonia celular e o Wi-Fi. Hedy, além de atriz da fase dourada do cinema norte-americano, foi também uma inventora talentosa. Ela desenvolveu um conceito que daria origem ao Wi-Fi, décadas mais tarde.

Uma das iniciativas mais notáveis surgiu do esforço e da inteligência de Hedy Lamarr, a aclamada estrela de Hollywood dos anos 1940 que, além de encenar o primeiro orgasmo em um filme, era um gênio da tecnologia. Ao contrário do que muitos pensavam na época, Hedy não era apenas um rostinho bonito. Aos 19 anos, ela protagonizou o filme tcheco “Êxtase”, de 1933, com direito a nu frontal e uma trama que abordava infidelidade feminina. O filme, no entanto, ficou famoso por outra razão: mostrar pela primeira vez uma mulher tendo orgasmo nas telonas.

Confira:

The First Woman Orgasm in film history, Ekstase (Machatý, 1933) with Hedy Lamarr.

A obra foi condenada pelo Papa Pio XI e censurada em inúmeros países. Há relatos até mesmo de que o então marido de Hedy, Friedrich Mandl, teria tentado comprar todas as cópias do filme para destruí-las – o que nunca aconteceu. Sua beleza e transgressão para a época atraíram Friedrich Mandl, um rico fabricante de armas com quem se casou em 1933 e se arrependeria pouco tempo depois. Em sua autobiografia, “Ecstasy and Me” (“Êxtase e Eu”, em português), Hady conta que o marido era um homem possessivo, que tentava mantê-la presa em casa e a proibia de atuar em alguns filmes e fazia com que ela, que era judia, recebesse em casa nazistas e fascistas com um sorriso no rosto para eventos e jantares de negócios.

Durante esses eventos, Hedy, que tinha origem judia, mantinha-se muda quase o tempo todo, observando os poderosos de guerra conversarem sobre seus planos tirânicos e aprendendo sobre o que havia de mais tecnológico no momento. Um dia, cansada por estar afastada das telas por um casamento sem amor, tomou a decisão de fugir e, após drogar o marido, correu para Paris levando consigo uma mala cheia de joias. Da França foi para a Inglaterra, onde embarcou no transatlântico Normandie com destino aos Estados Unidos.

Do relacionamento, ela preservou apenas o conhecimento adquirido no contato com os oficiais nazistas, que permitiu que desenvolvesse, anos mais tarde, uma tecnologia precursora do wi-fi.

Ao lado do compositor musical George Antheil, Hedy desenvolveu um sistema conhecido como “salto de frequência”. Uma noite, quando os dois brincavam de dueto em frente a um piano, Lamarr percebeu que, ao reproduzir as notas tocadas por Antheil em outra escala, frequências diferentes eram emitidas. Para ela, algo semelhante poderia ser aplicado pelas estações de radiocomunicação americanas, que se trocassem várias vezes de frequência coordenadamente, impediriam que os nazistas rastreassem códigos e mensagens de guerra, como o direcionamento de torpedos, que eram alvos fáceis de serem interceptados e destruídos pelos inimigos. Com o intuito de oferecer um diferencial ao país durante a Segunda Guerra Mundial, a dupla apresentou o método aos militares americanos, que subestimaram a ideia por achá-la difícil e cara demais para ser implementada. Informaram ainda que Lamarr ajudaria mais animando tropas e vendendo beijos.

Arrasada, a atriz então passou a dar declarações polêmicas, como “meu rosto foi minha ruína” e “qualquer garota pode ser glamorosa, basta ficar quietinha e parecer burra”. Sua convicção de que era tratada apenas como um rostinho bonito se confirmou em 1949, quando foi eleita pelo Clube da Imprensa Feminina de Hollywood a atriz menos cooperativa do ano.

Mesmo tendo sido patenteada pela atriz, a tecnologia nunca lhe rendeu um centavo. O “salto de frequência” só começou a ganhar visibilidade décadas depois. Em 1962, foi aplicado para bloquear Cuba durante a Crise dos Mísseis e, posteriormente, durante a Guerra do Vietnã (1955-1975). Com o tempo, a patente expirou e deixou de ser restrita aos militares, sendo aplicada como base de várias tecnologias modernas. Hoje, a invenção é a base para o desenvolvimento de diversos sistemas, como wi-fi, GPS e Bluetooth.

 

O reconhecimento só chegou quando Hedy tinha mais de 80 anos e vivia com uma aposentadoria do sindicato de artistas, nessa época, George Antheil já havia morrido há quase 40 anos. Foi em 1997, quando ela foi agraciada pelo Governo dos Estados Unidos com uma menção honrosa “por abrir novos caminhos nas fronteiras da eletrônica” e recebeu um prêmio da Electronic Frontier Foundation. Antes tarde do que nunca!

 

Foi anunciado que a Apple irá lançar uma minissérie em que Gal Gadot (“Mulher Maravilha”) protagonizará como Hedy Lamarr e ainda atuará como produtora executiva; a roteirista Sarah Treem (“House of Cards”) escreverá os oito episódios da produção. Os filhos de Lamarr, Anthony Loder e Denise Deluca, serão consultores da série. Ainda não há informações sobre filmagens ou previsão de data de estreia, o seriado será lançado no streaming Apple TV+. Fica a torcida para que a promessa se cumpra.

 

Outro gênio importante nessa história toda, é o físico e engenheiro australiano John O’Sullivan decidiu procurar por buracos negros. Infelizmente para ele e sua equipe, eles nunca encontraram o que estavam procurando, mas felizmente para todos nós essa busca acabou levando à invenção do Wi-Fi!

Eu explico melhor no vídeo a seguir:

 

Um passo também importante no estabelecimento desta tecnologia ocorreu no início dos anos 1970, quando foi criada uma rede sem fio chamada ALOHAnet, que demonstrou que era possível enviar dados sem o uso de fios entre as ilhas do Havaí. E em 1971 no Havaí, as empresas AT&T e NCR criaram uma forma de conectar caixas registradoras, chamado WaveLAN.

Esta tecnologia — cujo potencial não foi imediatamente apreciado — se tornou tão popular que o Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE) em 1997 criou o padrão 802.11 que hoje chamamos de wi-fi e que é fundamental para as comunicações.

E você já se perguntou de onde vem essa palavra?

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o nome Wi-Fi não tem um significado em especial – ao contrário do Hi-Fi de “High Fidelity”, ou “alta fidelidade”, usado em equipamentos de som), dada sua semelhança de abreviatura, você poderia supor que o termo é derivado de Wireless Fidelity, ou seja, da fidelidade do sinal sem fio, já que “Wi” da sigla remete ao termo “wireless”, sem fio, em inglês. Mas a palavra wi-fi é uma invenção que não tem nada a ver com isso.

Conforme revelou em 2005 Phil Belanger, um dos membros fundadores da Wi-Fi Alliance, a associação global de empresas que deu origem ao wi-fi, a palavra não significa absolutamente nada: nasceu simplesmente como resultado de uma estratégia de marketing.

O termo wi-fi foi criado pela agência de marketing Interbrand. Ela foi encarregada do lançamento da marca e apresentou 10 sugestões de nomes à Wi-Fi Alliance para que escolhessem um. Antes de o nome Wi-Fi ser escolhido para a tecnologia, em 1999, ela foi chamada por diferentes termos. Entre os títulos alternativos, estão: DragonFly, WECA, WaveLAN, FlankSpeed e até o complicado IEEE 802.11b.

Ah, não é wifi, WiFi, WIFI ou Wifi. É Wi-Fi!

A confusão quanto ao significado do nome deste tipo de comunicação sem fio parece ter surgido como resultado de a empresa ter adicionado inicialmente em suas promoções a frase: “o padrão para fidelidade sem fio”, uma vez que os membros do conselho de administração não confiavam em usar um nome inventado que não estivesse associado a nenhum significado.

Mais tarde, eles reconheceram que adicionar este texto foi um erro, disse Belanger, e removeram essa frase explicativa.

O logotipo oficial do Wi-Fi foi inspirado no Yin e Yang do taoísmo e busca fazer referência à capacidade do Wi-Fi de ser usado entre dispositivos completamente diferentes.

Quando chegou ao Brasil?

O Wi-Fi chegou ao Brasil por volta de 10 anos depois de sua criação, no ano de 2008, quando equipamentos com sistema Android começaram a se popularizar no país. A partir daí, o usuário optou pelo uso de dispositivos móveis que possuíam a tecnologia. Com a conexão banda larga, os roteadores se tornaram um item indispensável para que o usuário pudesse se conectar ao Wi-Fi e usar Internet com muita velocidade.

Como foi a implementação no país?

Assim como no resto do mundo, o Wi-Fi se tornou mais popular no Brasil com a chegada dos smartphones. A internet móvel não era capaz de oferecer qualidade para que os usuários pudessem explorar seus novos telefones e isso impulsionou o público a procurar por roteadores para poder compartilhar sua conexão de casa.

À medida que as operadoras de telefonia começaram a disponibilizar modems com Wi-Fi em regime de comodato, o público brasileiro passou a ter ainda mais acesso a conexão sem fios.

Outras curiosidades sobre o Wi-Fi

  • Uma das melhores substâncias naturais para bloquear o Wi-Fi é a água. Como o corpo humano é composto por cerca de 65% de líquido, é possível dizer que somos grandes bloqueadores de sinal.
  • Na hora de escolher o nome para a tecnologia, a Wireless Ethernet Compatibility Alliance (WECA) e a Interbrand cogitaram, dentre diversos nomes, Kinect, o mesmo que seria utilizado 11 anos depois, em 2010, para o sensor de movimentos do Xbox 360.
  • 90% de todos os dispositivos móveis do mundo possuem conexão Wi-Fi.
  • O Wi-Fi ocupa 71% de todas as comunicações via smartphone, através das redes sociais e aplicativos de mensagens via internet.
  • Em 2004 foram lançados os primeiros dispositivos móveis com capacidade de conexão wireless: o Nokia 9500 Communicator e o Motorola MPx.
  • Embora muito útil, as redes Wi-Fi são muito suscetíveis a interferências. Seja eletrônica ou física, como paredes e espelhos.
  • Números maiores não significam necessariamente a melhor opção. Por exemplo, 5GHz é mais veloz. Mas, 2.4GHz tem muito mais alcance.
  • Estima-se que mais de 50 bilhões de aparelhos estivessem operando no mundo até o ano de 2020. É muita conectividade!

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