Como funciona a proteína que pode recuperar lesões na medula espinhal
Cientistas brasileiros divulgaram avanços promissores no tratamento de lesões na medula espinhal com uma proteína chamada polilaminina, desenvolvida em laboratório. O estudo, realizado em colaboração entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o laboratório Cristália, usa a substância extraída da placenta humana para criar uma malha que guia a regeneração de neurônios […]
Cientistas brasileiros divulgaram avanços promissores no tratamento de lesões na medula espinhal com uma proteína chamada polilaminina, desenvolvida em laboratório. O estudo, realizado em colaboração entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o laboratório Cristália, usa a substância extraída da placenta humana para criar uma malha que guia a regeneração de neurônios na região lesionada.
Em relato marcante, está Bruno Drummond de Freitas, bancário de 30 anos, que sofreu lesão cervical completa por acidente de carro. Após receber a polilaminina, ele começou a notar recuperação motora — dois semanas depois da aplicação já conseguia mexer o dedão do pé — progredindo para retomar caminhada, atividades diárias, esportes e trilhas.
Segundo Tatiana Coelho Sampaio, pesquisadora da UFRJ, a proteína funciona como uma estrutura que orienta os neurônios a “reconstruírem” os caminhos interrompidos pela lesão, restabelecendo comunicação entre células nervosas. A aplicação é feita diretamente na medula espinhal, normalmente durante procedimento cirúrgico, idealmente até 72 horas após o trauma.
O estudo está em fase experimental com humanos; até agora, todos os participantes mostraram algum grau de recuperação motora — parcial ou completa — nos membros e abdômen. Os pesquisadores aguardam autorização da Anvisa para ampliar os ensaios clínicos.