Nas calçadas do Centro de Criciúma, Seu Moraes transforma madeira em arte

Sentado na beira de calçadas no Centro de Criciúma, Paulo César Rosa, popularmente conhecido como Seu Moraes, de 65 anos, usa o seu talento para entalhar nomes em madeiras há 45 anos. Os dedos calejados. que carregam muitas histórias, sentimentos e anos de dedicação, transformam o material bruto em chaveiros personalizados.

Pela qualidade, o trabalho parece ser realizado por uma máquina. Mas, o que chama a atenção, é que Seu Moraes, pacientemente, esculpe letra por letra, manualmente e leva cerca de 15 minutos para deixar um chaveiro pronto.

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Foto: Caroline Sartori

O talento foi herdado de seu pai, que tirava das vendas dos chaveiros, o sustento para a família. “Quando comecei a fazer, tinha 12 anos. Aprendi com meu pai, ele trabalhou muito tempo com isso e acabei aprendendo. Acompanhava ele nas vendas, observava como ele fazia e aprendi. Com 20 anos, fiquei independente, me dediquei e comecei a fazer e vender”, explica Seu Moraes.

Desde a madeira que é utilizada para confeccionar os chaveiros, até a tintura final, tudo é preparado por ele. O intuito é garantir a qualidade e preservar a história que ele carrega.

“Tudo é feito por mim. Eu compro a madeira, mando cortar no tamanho que preciso, compro os outros materiais que utilizo. Muitas pessoas não dão nem bola para isso. Acham que é simplesmente um chaveirinho de madeira com um nome. Mas, esquecem quem em cima dele, tem o meu sentimento, dedicação e história”, relata.

Recompensa

Foto: Caroline Sartori

Sua maior recompensa é saber que um dia o seu trabalho marcou a história de alguém, desconhecido por ele. “Fico muito feliz quando as pessoas compram o chaveiro e dão valor ao meu trabalho. Certo dia, uma moça veio comprar um chaveiro e contou que, em sua infância, tinha um igual a esse que comprou de mim. Isso que me motiva”, conta com alegria.

Sem aposentadoria, Moraes tira das vendas o sustento para a sua casa. Ele realiza as vendas na cidade em que reside, em Balneário Arroio do Silva, e alguns dias da semana produz e comercializa seu material no Centro de Criciúma, na rua Coronel Pedro Benedet. “Vendo para sobreviver. Mas faço da melhor maneira possível, com o meu coração. Coloco meu sentimento em cima do meu trabalho”, explica Moraes.

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