Mulheres à frente dos negócios

O Portal Litoral Sul destaca histórias de mulheres que foram à luta e começaram a empreender

Quando o assunto é empreender, sabemos que cada vez mais figuras femininas têm ganhado destaque, só que isto não é uma tarefa fácil. Para manter as vendas é preciso determinação e persistência. Dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), realizada pelo IBGE, mostram que cerca de 9,3 milhões de mulheres estão à frente de negócios no Brasil e que, em 2018, elas já eram 34% dos “donos de negócio”.

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O GEM (Global Entrepreneurship Monitor), que é a principal pesquisa sobre empreendedorismo no mundo, com dados de 49 países, mostrou, em sua última edição (2018), que o Brasil ficou em sétimo lugar no ranking de proporção de mulheres à frente de empreendimentos iniciais, ou seja, aqueles com menos de 42 meses de existência.

Hoje, 19, se comemora o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino e o Portal Litoral Sul destaca histórias de mulheres que foram à luta e começaram a empreender. Podemos dizer que elas são exemplos para outras mulheres. Acompanhe!

O lucro que vem de bolos e doces

Faz dois anos que Camila Kestering Felisberto Cardoso, de 35 anos, resolveu empreender, no segmento de culinária. Moradora do bairro Santa Luzia em Criciúma, o aprendizado veio após morar por um período na Inglaterra com o marido e trabalhar na produção de doces. “Ficamos fora do país, por pouco tempo, pois engravidei e resolvemos voltar para criar nossa filha aqui no Brasil”, conta ela.

Seis meses após o nascimento, Camila resolveu voltar para o mercado de trabalho, ela atuava na área administrativa de empresas, mas pensando em acompanhar de perto o crescimento da pequena, ela viu o empreendedorismo como uma solução para ter uma renda e maior liberdade para ficar com a filha. Foi então que surgiu a Sofi Doces.

“Eu já tinha uma base do que aprendi na Inglaterra, também fiz um curso de brigadeiro gourmet e comecei a produzir somente docinhos, só que devido a alguns pedidos, me especializei também em bolos. Ano passado foi meu primeiro Natal como empreendedora, fiz bolachas decoradas e tiveram uma grande saída. Comecei a inovar, cada data comemorativa invento algo diferente e está sendo um sucesso”, conta satisfeita.

Para este ano, a ideia é de produzir bolos, panetones e chocotones. “Procuro pegar uma quantidade de encomendas para que eu possa dar conta e produzir com qualidade, pois trabalho sozinha. Posso dizer que empreender foi a melhor coisa que fiz. Me sinto realizada”, conta Camila que para o futuro pretende abrir um espaço próprio para comercializar seus doces.

Ela abriu um salão de beleza na pandemia

Foi no início da pandemia que Jessica de Souza Do Nascimento,30 anos, arriscou fazer um curso de micropigmentação e abrir seu próprio salão de beleza. “Era um curso que eu já queria ter feito, mas tinha medo, pois o investimento era alto e tive receio de não obter retorno. Conclui e resolvi que iria continuar no salão onde trabalhava, mas pensei melhor e na cara e na coragem, abri meu próprio salão”, conta ela, que possui experiência de sete anos em cabelos, design de sobrancelhas e agora incluiu em seu currículo a micropigmentação.

Com a ajuda de seu pai, Jéssica montou o salão em sua casa, em Balneário Rincão, o que para ela serviu como uma oportunidade de ficar mais próxima dos filhos de seis, nove e 13 anos, como também de seus pais. Como nem tudo são flores, ela diz que enfrentou desafios.

“No início foi difícil, pois eu não tinha nada, ou melhor uma grande dívida para pagar do investimento feito. Mas como eu conheço muita gente, as clientes começaram a surgir. A divulgação foi na base da indicação e o negócio começou a crescer. Hoje vejo que foi uma boa decisão que tomei e estou muito feliz. Foi melhor do que eu imaginava. Pensei que por conta da pandemia as pessoas ficariam receosas em gastar num salão de beleza, mas graças a Deus a mulherada não deixou a autoestima de lado”, comemora.

Após mais de um ano do valor investido, Jessica diz que já obteve o retorno, e pensa em realizar outros cursos. “Hoje a minha única fonte de renda é o meu salão, de onde consigo sustentar meus filhos e minha casa. Eu tinha medo de largar o emprego fixo, para empreender, por mais que seja na tua área, não fazemos ideia de como vai ser. Mas tenho certeza que foi uma ótima decisão. Eu custei a ter coragem, mas quando tive não pensei em voltar atrás. Eu não me vejo mais de outra forma, faço o que gosto. Ver o sorriso de uma cliente satisfeita é o melhor pagamento que eu tenho, é o que me dá forças para continuar todos os dias”, fala feliz com a sua decisão.

Óleos essenciais se tornam oportunidade de negócio

Óleos essenciais viraram oportunidade de negócio para a fisioterapeuta, Morgana Lima, que desenvolveu ano passado, em tempos de pandemia a marca Essência Amor. Trata-se de uma linha de blend de óleos onde ela faz toda a alquimia.

“São todos produtos extraídos da natureza e utilizados de forma terapêutica, onde acabei lincando com os cristais”, destaca Morgana.

Ela conta que o trabalho ainda está no início é feito de forma artesanal, mas tudo com muito amor. “Quero que as pessoas saibam que em Criciúma existe tratamento de forma natural e que gera saúde”, revela.

A comercialização é feita via rede social e em alguns pontos da cidade, e conforme Moragna, a aceitação está sendo muito boa. “Provou gostou”, fala entre sorrisos. Até o final desse ano, os planos da empreendedora é de ter um laboratório para a produção em larga escala.

Estímulo ao empreendedorismo feminino

A Unesc lançará nesta sexta-feira, 19, o Programa Empreende Mulher, ação com foco na capacitação e na mentoria para a abertura e manutenção de negócios femininos da região. O programa, inédito na Universidade, será lançado em evento virtual transmitido pelo canal da Unesc TV no YouTube com a presença de autoridades regionais, a partir das 19h30.

A proposta envolve os projetos que integram o Núcleo de Empreendedorismo da Universidade, agora com atenção especialmente voltada para as mulheres, sejam elas já integrantes ou não da comunidade acadêmica. Conforme a reitora da Unesc, Luciane Bisognin Ceretta, idealizadora da ação, essa será mais uma forma de valorizar o potencial feminino à frente dos negócios. “Além de termos uma Universidade com maioria feminina não só na gestão, mas também entre acadêmicos e colaboradores, precisamos levar em conta que hoje 48% dos empreendedores do país são mulheres, ou seja, somos parte muito representativa na economia nacional nas mais diferentes áreas”, pontua.

Estarão entre as oportunidades disponíveis para as participantes os projetos Pré-Incube, Incube-se, Estratégia 360, Plano de 60 dias, IPEME/Plano de Internacionalização e Pipocando Empreendedorismo. Eles servirão, a partir de diferentes abordagens, conforme a Pró-reitora de Planejamento e Desenvolvimento da Unesc, Gisele Coelho Lopes, para desenvolver habilidades de liderança empreendedora, além de compartilhar ideias e estratégias de desenvolvimento e sustentabilidade do negócio, tanto para aquelas que já empreendem no próprio negócio, quanto para quem tem uma ideia para tirar do papel.

O espaço criado, de acordo com Gisele, será de excelente conteúdo técnico compartilhado por professores e mentores e incrível networking. “As conexões criadas a partir desses espaços nos quais encontramos pares dispostos a empreender e evoluir juntos são transformadoras”, enaltece.

No lançamento do Empreende Mulher cada uma das oportunidades será detalhada para que as participantes escolham qual delas se encaixa nas suas necessidades. Os interessados em fazer parte da sala do Google Meet  podem confirmar a participação pelo Whatsapp no link www.unesc.net/empreendemulher.

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