BRDE quer aumentar presença nos municípios catarinenses

 Professor da UFSC, é graduado e mestre em Contabilidade, com Doutorado em Engenharia de Produção, na área de Inteligência Organizacional. Foi membro titular do Conselho Deliberativo da Fundação ELOS de Previdência Complementar.

Marcelo Dutra está há pouco mais de um mês na presidência do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), que abrange os três estados do Sul – Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul – e ainda o Mato Grosso do Sul. Ele fez parte do governo de transição depois da eleição do governador Carlos Moisés da Silva e hoje comanda uma estrutura que conta com 463 e é responsável por um Ativo total de R$ 17,3 bilhões, dos quais R$ 13,5 bilhões estão na carteira de clientes.

O novo presidente do BRDE disse, em entrevista exclusiva concedida à rede ADI-SC, SC Portais, Adjori-SC e RCN Online, que está gostando da experiência. “Como sou professor de Contabilidade e Finanças, estou vivendo uma realização pessoal muito grande”, observou ao comentar a importância do BRDE para o Sul do país e a elevada capacidade da equipe técnica. E arrisca:

 

 [PeloEstado] – O senhor assumiu a presidência do BRDE há pouco tempo. Quais foram as primeiras ações nesse período?

Marcelo Haendchen Dutra – Estou à frente do banco faz pouco mais de 30 dias. Sempre quando alguém da área administrativa assume uma posição assim, a primeira coisa a fazer é um levantamento. Nesse período, bastante ajudado pela equipe, tentei focar na realidade operacional e na realidade estrutural. Lógico que eu já tinha bastante informação e conhecimento do que o BRDE representa, mas, principalmente, tentei buscar entender é onde estavam os principais entraves de oportunidade para avançar ainda mais com essa instituição que é fantástica.

 

[PE] – Quais são os entraves?

Dutra – Vou falar basicamente de duas grandes situações que, na verdade, resulta do mercado. Um entrave administrativo em que há bastante espaço para evoluirmos é ganho de eficiência. Ou seja, a implantação efetiva da gestão por resultado. A melhoria dos processos e dos sistemas nos permite agilidade na aprovação de crédito, por exemplo. Outra situação administrativa está no fato de que as instituições financeiras, nacionais e internacionais, têm apostado bastante em gestão de risco, de compliance, os governos estaduais assumindo compromisso com a integridade. Estamos tentando reforçar isso no banco, para deixar o BRDE mais forte institucionalmente. E do ponto de vista operacional estamos empenhados na priorização de segmentos, o que tem a ver com os com os fundos que vamos buscar. Quando você tem um fundo mais viável, viabiliza melhor a cadeia produtiva. E também o apoio aos governos municipais para melhorar a gestão pública, torná-la mais eficiente.

 

[PE] – Como isso deve acontecer?

Dutra – Nós vemos no ambiente público que algumas coisas não aconteceram por dependerem exclusivamente do que é público, ou seja, faltou parceria com um ente privado. O banco tem inteligência e disposição para auxiliar as prefeituras para que elas possam criar suas parcerias público-privadas e concessões.

 

[PE] – Algumas pesquisas apontam a confiança do empresário e do consumidor oscilando abaixo da média. Como o senhor avalia o cenário de investimento?

Dutra – Vamos pegar o histórico dos últimos períodos para tomar como referência. O BRDE tinha uma meta de contratação que foi ampliada em 25% para 2019. Por aí você verifica como a expectativa é grande. A meta para 2019 é atingir R$ 1 bilhão para Santa Catarina. Por quê? Porque já no primeiro trimestre é perceptível um acréscimo de 4% no volume das contratações. Tivemos ainda o aumento gradativo das consultas de viabilidade, que podem ou não virar contratos. É lógico que, por outro lado, existe a preocupação do empresário com o ambiente político, com aprovação de reforma. De certa forma, enquanto instituição financeira, o banco fica amarrado nessa situação.

 

[PE] – Com base em que o senhor afirma isso?

Dutra – Vou citar dois casos: um é o agronegócio e outro é o setor elétrico, sobretudo geração de energia renovável. São dois pontos que eu coloco com indício de que se quer investir. Havia uma expectativa muito grande por causa do aumento de consultas no final do ano passado. Eram possíveis investimentos represados durante o período eleitoral.

 

[PE] – E na divisão entre os segmentos público e privado?

Dutra – Nós tivemos uma reunião dos acionistas do Codesul (na terça-feira, 11 – Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul), que são os governadores de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul. Em um dado que mostrei a eles é a questão dos R$ 13,5 bilhões que temos na nossa carteira de crédito. E demonstrei como isso está distribuído. Quando se analisa essa distribuição se percebe como o BRDE funciona como veias. Tomando os dados fechados de 2018, temos

  • Agropecuária – R$ 4,5 bilhões
  • Indústria – R$ 3,2 bilhões
  • Infraestrutura – R$ 2,7 bilhões
  • Comércio – R$ 2 bilhões
  • Serviços – R$ 800 milhões

Uma distribuição bem segmentada. Mas, no setor público, temos créditos em volume inferior a R$ 300 milhões. Portanto, é um ambiente em que podemos aumentar nossa presença.

 

 

Entrevista: Murici Balbinot/Adjori-SC

Edição e diagramação: Andréa Leonora/ADI-SC

 

 

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