O Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em agosto, traz um alerta crucial sobre os riscos do tabagismo para a saúde. Segundo a Dra. Carla Patrícia Uliano, pneumologista da Clínica de Saúde São José, não existe uma dose segura para o consumo de cigarro, que está associado a mais de 200 doenças, incluindo hipertensão, infarto, AVC e diversos tipos de câncer.
Um dos principais impactos ocorre no sistema respiratório, através das doenças pulmonares obstrutivas crônicas (DPOC), como o enfisema e a bronquite. Enquanto o enfisema destrói os alvéolos pulmonares, causando falta de ar e emagrecimento, a bronquite manifesta-se com tosse e secreção frequente. Sinais como pigarro constante e cansaço em tarefas simples podem indicar que o organismo já sofre os efeitos do vício.
O cenário epidemiológico preocupa as autoridades de saúde. Dados do Ministério da Saúde indicam que 11,7% dos adultos brasileiros eram fumantes em 2024, interrompendo uma trajetória de queda que vinha desde 2006. Entre os jovens de 18 a 24 anos, o uso de dispositivos eletrônicos (vapes) atingiu 10,1% em 2024, o maior índice da série histórica, impulsionado por modismos, sabores e aromas atrativos.
A especialista ressalta que muitos pacientes buscam ajuda apenas quando já apresentam limitações severas, como dificuldade para tomar banho ou pentear o cabelo. No entanto, ela enfatiza que nunca é tarde para abandonar o hábito. A recuperação da capacidade pulmonar é progressiva após a interrupção. O SUS oferece suporte gratuito para quem deseja parar, registrando mais de 2,1 milhões de atendimentos em 2025, com opções de tratamento individual, em grupo e medicamentoso.