Você já ouviu falar sobre duelo conjugal? Esse tipo de prática já foi bastante comum e consistia em verdadeiros combates entre maridos e esposas para resolver conflitos e disputas para os quais não existissem testemunhas ou confissões de culpa. Um tipo de divórcio medieval, do qual casais lutavam até a morte para se separarem.
No período medieval, a situação era bem diferente, e no mínimo alarmante. Na França, por exemplo, quando marido e mulher não conseguiam mais conviver como um casal, a única maneira de um homem impedir que sua esposa o deixasse era obter uma ereção completa no meio de um tribunal, provando que ainda “estava à altura da tarefa de prover seus deveres sagrados como marido”. Em outras situações, tanto em uma corte francesa como em qualquer outra da Europa durante período medieval, era possível que ambos invocassem o tribunal por combate para saber quem sairia vitorioso da ação.
Para equilibrar as condições físicas entre homem e mulher, o marido era obrigado a lutar estando dentro de um poço raso e com um braço amarrado ao corpo. Já a esposa ficava do lado de fora e poderia estar armada com uma pedra embrulhada em um pano. Nas disputas domésticas entre marido e mulher, ambos precisavam vestir trajes especiais, com um capuz e um tipo de camisola de mangas compridas. Outro tipo de vestimenta para a esposa consistia num vestido apertado com uma manga longa e fechada na forma de saco, onde se colocavam pedras.
Ao contrário de duelos cavalheirescos ou dos posteriores duelos de honra, eram as autoridades jurídicas que obrigavam estas partes a disputarem um duelo judicial, o que acontecia principalmente nos Principados Alemães. Tais ocasiões poderiam se tornar imensos espetáculos para a comunidade local, com os participantes recebendo de um a dois meses para se preparar.
Como aconteciam os duelos conjugais?
Existem alguns testemunhos escritos sobre esses combates. No ano de 1200, um homem e sua esposa lutaram sob a sanção das autoridades cívicas em Basiléia, na Suíça. Já em 1228, uma mulher lutou contra o marido em Berna, também na Suíça, e o derrotou de forma humilhante.
Em alguns casos, o homem ficava armado com três tacos de madeira e era colocado em um buraco de três metros de largura cavado no chão. A luta acontecia com o homem no buraco na profundidade até a altura do peito, de onde ele poderia atacar sua esposa com o porrete apenas em uma mão, enquanto a outra ficaria amarrada às costas. E apesar disso, o homem ainda tinha muitas vantagens a seu favor, como mais força que as mulheres que não estavam acostumadas ao tipo de situação, tampouco a pegar em armas, e outras táticas desenvolvidas ao longo do tempo. Já a mulher deveria estar armada com três pedras, cada uma pesando de 0,5 à 2 kg, todas envoltas em um pano, para amortecer o impacto dos golpes. A luta era controlada por juízes.
O homem não poderia deixar o seu buraco, mas a mulher estava livre para se mover no seu entorno. Se o homem tocasse a borda do buraco com a sua mão ou braço, ele deveria ceder uma das suas clavas aos juízes. Se a mulher o acertasse enquanto estivesse fazendo isso, então seria ela que perderia uma de suas pedras.