Você já deve ter ouvido alguém chamar uma garota que gosta da cor rosa, muito vaidosa, de patricinha? É inegável a existência desse termo que tanto se popularizou nas décadas de 80 e 90. Mas porque, e de onde surgiu essa expressão? Saiba que isso tem uma origem histórica.
A existência da palavra “patricinha”, está presente há algumas décadas no vocabulário brasileiro, tem registro nos dicionários e tudo. No tradicional Caldas Aulete da Língua Portuguesa, o termo “patricinha” vem assim: No Brasil, popularmente, adolescente ou jovem do sexo feminino pertencente à classe alta, que tende a só usar roupas e acessórios de grife e frequentar lugares da moda. Antônimo: mauricinho.
Quando você chama alguém de patricinha, você está fazendo uma alusão ao Império Romano. Isso porque há quase 3 mil anos atrás, os patricios eram a nobreza da sociedade romana.
Patricinha, que é diminutivo de Patrícia, feminino de Patrício, e radicado no latim “patriciu”, era o termo que entre os romanos designava os membros da alta classe social, um título da antiga nobreza, dos primeiros fundadores da cidade, que escolhiam-se os mais nobres e virtuosos, e que viriam a se tornar os primeiros senadores nomeados por Rômulo, denominados “patres”, pais, em sentido genealógico, jurídico e político. Eles eram a aristocracia local, parte da elite Romana na Antiguidade, que podia fazer parte do Senado, tinham os melhores cargos políticos, assim como no exército, uma grandiosa importância religiosa e, é claro, muito, mas muito dinheiro. Era o pessoal da raiçossaite.
Os romanos levavam a aparência muito a sério, tinham até mesmo cores e tipos de roupa que apenas os patricios podiam utilizar e, é óbvio que as mulheres patricias andavam sempre bem arrumadas.
No Brasil, o termo passou a designar moça burguesa, sempre bem-vestida, com roupas de estilo clássico ou muito caras.
E aquele garoto todo engomadinho, que é chamado mauricinho? Como todo mauricinho que se preze, sabe que calça cápri masculina, assim como o bermudão xadrez, está totalmente fora de moda. Ah, já deu o que tinha que dar! É tão demodê quanto meias soquetes aparentes.
Mauricinho é o diminutivo de Maurício, um nome que, segundo o IBGE, teve seu auge dentre os brasileiros nascidos na década de 80. Maurício vem do latim Mauritius, derivado de ‘Maurus’, que significa “de pele escura” ou “mouro”, o que não tem ligação com ‘mauricinho’. Para sabermos a origem do termo, não precisamos ir tão longe. Mauricinho apareceu na década de 90, meio que substituindo o que chamávamos de ‘almofadinha’ ou ‘janota’, o rapaz empetecado que se veste com apuro e frequenta lugares da moda.
O vocábulo ‘mauricinho’ nasceu exatamente em 1991, mas o Maurício que inspirou o termo é de 1962. No caso, é o jornalista carioca Mauricio Lima. Durante seu curso de Jornalismo na UFRJ, diferentemente de seus colegas largadões, Maurício era todo certinho e arrumado, só usava roupas de marca e mochila da Company. Eis que um de seus colegas de faculdade era ninguém menos que o nosso saudoso humorista Bussunda, que naquela época escrevia a revista ‘Casseta Popular’ (revista humorística que deu origem ao programa ‘Casseta & Planeta). Bussunda usou o amigo como parâmetro e passou a escrever “fulano de tal é um mauricinho”. O nome pegou, entrou na moda.
O termo patricinha, assim como mauricinho, também se popularizou muito durante os anos 90, tanto que o filme ‘Clueless’ (sucesso de 1995, com Alicia Silverstone no papel principal), que poderia ter seu título traduzido como ‘Sem noção’, recebeu no Brasil o nome de ‘As patricinhas de Beverly Hills’.
E olha como a língua é uma das manifestações culturais que fundamentam a identidade de um povo; nomes no diminutivo, como no caso citado, têm o poder de gerar certo deboche, desprezo. É preciso tomar bastante cuidado na seleção vocabular, pois o inofensivo pode destruir um texto, trazendo à tona determinado preconceito. Mas e aí, o que achou? Gostou de conhecer essa curiosidade sobre o termo patricinha e mauricinho? Compartilhe-a em suas redes sociais.
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