A curiosa história da mulher que ficou grávida por 46 anos

Uma gestação de nove meses para muitas mulheres é tempo demais, agora imagine carregar dentro do ventre um bebê por 46 anos, algo que por si só já parece impossível, não é mesmo? A chocante história que você vai conhecer a seguir é ao contrário do que você imagina, pois pode acontecer, sim. A história […]

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Uma gestação de nove meses para muitas mulheres é tempo demais, agora imagine carregar dentro do ventre um bebê por 46 anos, algo que por si só já parece impossível, não é mesmo? A chocante história que você vai conhecer a seguir é ao contrário do que você imagina, pois pode acontecer, sim. A história de Zahra Aboutalib foi ao ar no documentário britânico Extraordinary People, que acompanha a vida de pessoas com condições médicas raras ou habilidades incomuns.

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Em 1955, em uma pequena vila nos arredores de Casablanca, no Marrocos, uma jovem de 29 anos chamada Zahra Aboitalib, grávida de seu primeiro filho, entra em trabalho de parto extremamente doloroso, e após quarenta e oito horas o bebê ainda estava por nascer, assim a marroquina foi levada às pressas ao hospital local e os médicos lhe disseram que, se não a operassem, seu bebê morreria.

Lá, ela presenciou a agonia e a morte de uma mulher que havia passado por uma cesariana. Com medo de que aquilo acontecesse com ela, Zahra simplesmente fugiu e, depois de alguns dias de fortes dores, começou a se sentir melhor. “Se eu fosse morrer, preferiria morrer em casa”, disse ela. Ela acreditou em um mito local do “bebê adormecido”, que pregava que um feto poderia ficar hibernando dentro da barriga da mãe por um tempo indeterminado para proteger sua honra. Ela acreditava que um dia, seu “bebê adormecido” acordaria. “Eu ainda podia senti-lo dentro de mim e pensei que, se ele quisesse continuar dormindo, eu o deixaria ficar”, disse ela.

Sua irmã estava com ela e chegou a dizer, inclusive, que se ela perdesse o bebê poderia ficar com a sobrinha. Não demorou para que Zahra parasse de sentir os movimentos do bebê – ela sentia que ele tinha morrido, mas se esforçava para acreditar que ele estava dormindo. A criança nunca nasceu. Para suprir a necessidade de ter filhos e esquecer o trauma de sua gravidez fracassada, Zahra adotou três crianças, dedicou sua vida a cuidar delas e, futuramente, dos netos.

Algumas décadas depois, em 2001, Zahra com seus 75 anos, começou a sentir dores abdominais fortes e um de seus filhos a levou a um hospital. O médico responsável por seu caso, Taibi Ouazzani, disse ter acreditado que a mulher tinha um tumor estomacal. A paciente foi levada a uma sala de ultrassom, mas tudo o que o médico viu foi uma massa identificável.

Zahra foi levada a um especialista, que identificou uma massa branca calcificada. Uma ecografia mais detalhada revelou o que deixou todos os médicos chocados: a paciente carregava dentro de si um feto mumificado e que estava ali há 46 anos.


Isso só aconteceu porque Zahra teve uma gestação bastante problemática, quando o óvulo fecundado não é acomodado no útero, mas na região abdominal: a gravidez ectópica. De acordo com o documentário, geralmente essas gestações são naturalmente interrompidas antes dos três meses, mas o caso de Zahra foi diferente, o feto conseguiu sobreviver anexando sua placenta a órgãos vitais no estômago e se desenvolveu por nove meses dentro da barriga da mãe até que, não foi capaz de nascer por parto normal e acabou morrendo, e permaneceu lá pelos próximos 46 anos. As dores da gravidez que Zahra começou a sentir eram na verdade sinais de um bebê angustiado, pois estava ficando sem oxigênio. Zahra os confundiu com sinais de que ela estava pronta para dar à luz. Na realidade, o bebê nunca teria saído naturalmente pelo colo do útero.

Sendo grande demais para ser reabsorvido pela mãe, o corpo de Zahra optou por envolvê-lo em camadas de uma substância de cálcio – protegendo o corpo da mãe do tecido morto do bebê e prevenindo infecções. A fuga do hospital há 46 anos pode ter salvado sua vida, pois havia uma pequena chance de que a tecnologia disponível naqueles dias fosse avançada o suficiente para separar o feto de seus órgãos vitais.

Mesmo em 2001, a operação foi difícil. O perigo era que ela sangrasse até a morte quando eles removessem o bebê de pedra calcificado. O bebê se fundiu com a bexiga, estômago, parede abdominal e veias de Zahra.

Qualquer pequeno deslize do bisturi poderia perfurar esses órgãos e custar a vida de Zahra. Os médicos sabiam que estavam diante de um evento completamente único e, por isso, a decisão a respeito do que deveria ser feito era igualmente delicada. Foram necessários cinco dias para que a equipe médica optasse pelo tratamento mais correto, afinal, o bebê calcificado estava conectado diretamente com os órgãos vitais da paciente, e o medo maior era o de que Zahra acabasse morrendo durante a cirurgia.

De qualquer forma, a cirurgia foi a opção escolhida. O procedimento permitiu que os médicos encontrassem o bebê dentro do estômago da mãe, completamente petrificado. Zahra e o feto estavam completamente ligados e a intervenção foi bastante complicada e longa.

Zahra, aos 75 anos, sobreviveu ao procedimento que durou quase 4 horas e, mesmo depois de tanto tempo, seu filho finalmente nasceu, pesando pouco mais de 3 kg com 42 cm de comprimento. Os médicos analisaram o material retirado do interior da mulher e concluíram que realmente era um bebê mumificado. Algumas estruturas ainda eram visivelmente as de um feto, como o braço direito e o formato da cabeça.

O corpo do bebê foi dissecado para que os médicos pudessem estudar melhor esses tipos de casos – há poucos conhecidos em todo o mundo. Na época do documentário, apenas 300 casos de bebês de pedra, também conhecidos como litopédios, haviam sido relatados na história médica. Ouazzani explicou que o fato de a mãe ter sobrevivido foi um verdadeiro milagre, já que normalmente o corpo humano costuma rejeitar qualquer corpo estranho e, no caso de uma gravidez ectópica, a definição de “corpo estranho” inclui o bebê.

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