[VÍDEO] #CasalDayOFF: Amor fati, hamburguesas y dos pintas, ¡por favor!

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Voltamos, depois de 25 dias, a Buenos Aires! Foi um pouco difícil disfarçar o clima borocoxô por esta ser a nossa última parada na Argentina. Para espantar o bode, decidimos fazer o melhor que pudéssemos antes de partirmos. Calculamos nossos gastos totais, fizemos o câmbio com o que sobrou e, para nossa surpresa, não havia pesos uruguaios nas casas de câmbio. Trocamos por reais e dólares – amargando um pouquinho as perdas da transação. Chegamos exaustos e fomos em busca do que não experimentamos a viagem inteira: pizzas, hamburguesas e quem sabe uma Parrilla Argentina. Sabemos que todos recomendam os restaurantes no Porto. Há várias casas requintadíssimas mas, já no fim da viagem, escolhemos experimentar um no Centro da Capital – como fazem os argentinos. Nos permitimos experimentar alguns cortes diferentes. Algo mais exótico. Ao observarmos a lista das carnes servidas encontramos três nomes diferentes e resolvemos encarar assim mesmo. Muito bem servido, nosso conjunto de assados chegou cerca de 30 minutos depois. E que fome! Já havíamos caminhado durante toda manhã fazendo os trâmites finais para dar andamento ao nosso retorno na manhã seguinte. Uma parrilla cheirosa e suculenta era a pedida! Quando recebemos a travessa recheada não pensamos duas vezes e nos rendemos. Frango, costelinhas, contrafilé, morcilha e – bléh – rins e intestino de gado! Tentamos, mas o sabor é realmente forte e odor não é lá muito atrativo (para o nosso paladar)¡Desculpa-nos, hermanos! Mas definitivamente tem de ter estômago forte para estas carnes mais diferentonas (ainda bem que à noite foi pizza).

Partimos cedo de Buenos Aires para o Uruguai. A meta era chegar a Punta Ballena antes do por do sol para presenciarmos a cerimônia espetacular com a declamação do poema de Vilaró na Casa Del Pueblo. Mas, Uruguai não estava para brincadeira, não. Logo na fronteira, tivemos um contratempo ao apresentarmos nossos documentos; haviam cadastrado nosso veículo na entrada da Argentina com dados errados. Com o horário apertado e cada minuto sendo muito precioso, a tensão aumentava a cada minuto (e a cada agente que vinha ao computador para tentar resolver o problema). Após a liberação, cerca de meia hora depois, fomos parados na inspeção sanitária. Uma bandeja com fatias de salame para o nosso sanduba que seria consumido em seguida foi barrado pelo fiscal. Dependendo da quantidade que é transportada pode ser liberado ou não. Então, perguntamos se poderíamos ficar com as fatias que dariam sustância aos nossos sanduíches. O uruguaio fala rápido, mas entendemos bem quando o agente nos “sugeriu” trocarmos os salames pela garrafa de vinho Malbec que estava no nosso cooler. Atônitos, depois de uma viagem de mais de 10 mil quilômetros sem sequer avistar de longe uma situação como esta, soltamos risos nervosos e nos fizemos de desentendidos. Ele nos liberou com um ar de desgosto e seguimos apressados, antes que mudasse de ideia. “Ah, Uruguai! Pega leve. Acabamos de retornar! Estávamos com saudades de você”. Fomos pouco a pouco amargando o câmbio desfavorável (8 reais por peso uruguaio) pagando o equivalente a 25 reais em pedágios a cada 20km. As estradas por aqui são conhecidas pela qualidade, mas não foi o que encontramos. Pistas simples, remendadas e com velocidade limitada a 90km/h deixaram nosso trajeto congestionado por caminhões e muita tensão para desviar de maquiagem e solavancos nas vias. Chegamos em Punta Ballena no por do sol – semi nublado. Para aliviar nossa frustração a lua cheia subiu glamurosa sobre a Casa Del Pueblo – aliviando um pouco a saudade desta pintura natural uruguaia.

Partimos para a casa do nosso anfitrião – em Punta Del Este – que nos presenteou com algumas ressalvas ainda antes de adentrarmos o portão da sua casa. Explicamos: adquirimos uma noite na casa de um casal que ofereceu estadia pelo AirBnb. Ao chegarmos lá fomos surpreendidos com um reajuste no valor da diária: teríamos de fazer um acerto por fora, em espécie, pois o valor divulgado no site estava “errado”. **Um desrespeito e absurdo sem precedentes. O quarto oferecido na casa não tinha janelas, nem sequer um ventilador para aliviar o calor escaldante que estava naquela noite – 35 graus. Ah, que saudade da Patagônia! O banheiro, em reforma, estava sem o tampo do vaso sanitário. Isso mesmo – porcelana sequinha para acomodar seu traseiro depois de uma longa viagem e algumas decepções pelo caminho. Não fosse o cansaço teríamos pegado nossas mochilas e ido embora na mesma hora. Mas, depois de relutar e usar nossa calma e perseverança para contestar o valor extra solicitado, fomos aceitos na casa. Hora de jantar, né? Essa correria toda deu fome. Que tal pagar R$110,00 por um prato de batatas e um bife na chapa? Foi a média dos jantares encontrados na cidade. Óbvio, hamburguesas, pizzas e chivitos eram facilmente adquiridos nas ruas lotadas de Punta, mas desanimamos ao observarmos os serviços e cordialidade. Retornamos para “casa” ansiosos pela partida – sem jantarmos. Há limite para tudo. Penamos muito para chegarmos aqui para sermos tratados como uma nota de 100 dólares ambulante. Boa noite!

Na manhã seguinte, a energia do banheiro foi desligada e tomamos banho frio. Sem perdermos a razão (e a perderíamos com gosto) recolhemos nossos pertences e saímos da casa sem olhar para trás. Há muitas boas opções em sites de hospedagem. Infelizmente, esporadicamente, aparecem pessoas de má fé e sem noção alguma a oferecer o serviço de forma totalmente desumana. Denunciamos – lógico. E partimos para Valizas. Nosso oásis nesse caos. Tínhamos ainda a boa lembrança da pequena praia, sem energia nas ruas, cheias de arte, simplicidade e muita cumbia. Voltamos para o Camping “Valizas 1900”. Além do preço justo, a humanidade e simplicidade nos ganharam em nossa primeira passagem por lá em 2019. Ao estacionarmos o carro ouvimos um som de violão e “Mulher brasileira” entoada com sotaque hermano. Quase choramos. Era um abraço cheio de amor depois de tantos tapas desapontantes. Flagrados pela placa brazuca do nosso Renault Kwid, fomos recebidos com cerveja gelada e cantoria. Há esperança, ainda. Chegamos no nosso lugar. ¡Ojala!

Famintos, era hora do nosso último Day Off. Preparamos hamburguesas a la Ari & Eri nos campos da barra de Valizas, ali no camping mesmo. O melhor das nossas vidas, é claro. Temperado com Sabor Açoriano e regado a algumas “Lohn Biers” no ponto (receita compartilhada lá embaixo 😉 ). Rumamos para o centro de Valizas, após nosso rango relaxante. Cozinhar nos conecta – e dá-nos a certeza de que independente de onde estivermos poderemos apreciar uma boa comida feita por nós em meio à natureza. É um desafio regozijante. E calmante.

Música, arte, artesanato, comidinhas de rua e vibe positiva nos acolheram. Valizas merece todo nosso respeito. Chegada a hora de partir, deixamos o Uruguai no dia seguinte. A fim de maltratar um pouco menos nossas articulações já fatigadas, paramos em Pelotas – a terra da chimia – onde fomos calorosamente recebidos por nossa anfitriã. Doses de sorrisos, aconchego e muita simpatia, chegamos ao Brasil acalentados por uma família gaúcha cheia de carinho e histórias de viagens para contar. Por aqui também há muita gente honesta e fazendo muito bem a sua parte. É o que nos motiva a dar continuidade aos nossos Day Offs no quintal de SC e quem sabe, nos estados adjacentes. No ano corrente gostaríamos muito de bater a meta de 100, dos quase 50 vídeos publicados. Não é apenas uma meta numérica. É um plano de vida, para nosso bem estar e felicidade, aliado a um bom desafio para apimentar o caminho. Este, aliás, repleto de ensinamentos. Seria esse o amor fati? A trilha percorrida esculpida centímetro a centímetro com esmero e aceitação do presente? O amor despertado sem a ansiedade por apenas alcançar um estado futuro, mas tambem, observar ativamente a beleza e os perrengues da estrada traçada? Continuaremos. Inspirando e inspirados. Buscando aventuras e (r)evolução até onde nosso fôlego – e paixão pela vida – nos permitirem chegar. Gratidão – sem modismos com o uso da palavra – aos nossos familiares, amigos, parceiros e ávidos seguidores que torceram a cada quilômetro percorrido nesta jornada. Cada um escreveu conosco um parágrafo importante nesta epopeia. Como diria um amigo muito querido: é bom ter amigos – e nós temos muitos.

Apoiadores:
@SandroDeMattia
@LohnBier
@SaborAcoriano
@AbadyWoodArt
@GonzaloAlimentos
@VipCarRenault

Até logo!

Receita Hamburguesa

Burger
Carne moída duas vezes
Alho
Sal de Parilla
Queijo fatiado
Pão de hambúrguer

Molho
Cebola roxa
Mostarda
Mel

Acompanhamento
Batata
Farinha para empanar Sabor Açoriano

Misture a carne ao alho bem picadinho. Modele em formato de hambúrguer com altura de um dedo – cuidando para não ficar muito alto. Afinal, não queremos almôndegas – não é mesmo?
Enquanto a carne assa em brasa média alta, prepare o molho. Refogue a cebola e junte mostarda e mel a gosto. Deixe mais ácido do que doce, para não ficar enjoativo. Reserve.
Termine de assar a carne com fatias de queijo. Sele o pão na grelha e acrescente nesta ordem: molho e carne com queijo. Para fechar a orgia gastronômica, empane as batatas fatiadas com a farinha especial já umedecidas com uma dose de cerveja (amamos a Carvoeira da Lohn Bier). Não é necessário, mas dá um sabor inigualável às batatas (e é uma boa desculpa para abrir uma cerveja premiada). Frite-as em óleo bem quente até dourar. Sirva tudo acompanhado de uma gelada caprichada e ¡buon provecho!

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#Portal Litoral Sul, Buenos Aires, CasalDayOFF, LohnBier

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