“Temos aproximadamente 29% de florestas em nosso Estado”, diz especialista

As três principais formações florestais do Estado estão reduzidas em sua cobertura florestal nativa. É o que apontada o Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina (IFFSC). O alerta é feito pelo Comitê da Bacia do Rio Urussanga no dia que celebra a Mata Atlântica, 27 de maio. “A exploração indiscriminada de madeira, roçadas, pastoreio de bovinos e atividades agrícolas intensivas levaram a diminuição dos remanescentes florestais. Destes fragmentos florestais, 85% tem área menor que 50 hectares”, explica o biólogo, professor e pesquisador da Unesc, Robson dos Santos.

Dados mostram que, em Santa Catarina, da floresta com araucárias restam apenas 24%, enquanto a pluvial atlântica possui 40% e a caducifólia 16% de cobertura florestal nativa. “Temos aproximadamente 29% de florestas em nosso Estado, que era quase totalmente coberto por florestas, originalmente 81%. Em sua maioria, hoje são encontradas florestas secundárias, em que as árvores mais importantes são espécies pioneiras e secundárias, ou seja, aquelas que possuem troncos mais finos, menor altura e com menor potencial de uso quando comparadas com as espécies de crescimento lento, também chamadas de madeira de lei”, salienta o mestre e doutor em Ciências Ambientais, professor da Unesc, Guilherme Alves Elias.

Nos municípios inseridos na bacia do rio Urussanga, conforme Inventário Florestal Nacional (2018), existem variações significativas na cobertura da Floresta Ombrófila Densa. Os municípios de Pedras Grandes, Urussanga e Cocal do Sul possuem cobertura florestal nativa significativamente maior, acima de 20%, enquanto Criciúma, Treze de Maio, Morro da Fumaça, Içara, Jaguaruna, Balneário Rincão e Sangão estão com valores aquém do necessário para a preservação das florestas nativas, entre 7 e 0%.

Segundo a doutora em Geografia e técnica de recursos hídricos da Aguar para o Comitê da Bacia do Rio Urussanga, Rose Adami, o território da bacia é praticamente ocupado por pastagem e por agricultura e que a bacia dispõem de apenas 23,8 % de área da bacia em florestas em estágios de regeneração natural.

“A bacia hidrográfica de um curso d’água é a área onde, devido ao relevo e geografia, a água da chuva escorre para um rio principal e seus afluentes. Estudos demonstram que, na bacia hidrográfica, a proporção da chuva que se torna recurso hídrico renovável é inversamente proporcional à biomassa arbórea e mais floresta não significa mais chuva na mesma bacia, ou seja, plantar árvores não aumenta a produção de água, no entanto, melhora sua qualidade e contribui para regulação da vazão de rios ao longo do ano”, pontua Robson.

De acordo com o especialista, o bioma Mata Atlântica, com número expressivo de habitantes, necessita da preservação dos remanescentes de vegetação nativa, dos quais depende o fluxo de mananciais de águas que abastecem pequenas e grandes cidades. Entre os fatores de destruição da vegetação nativa da Mata Atlântica constam a expansão da agropecuária intensiva e o florestamento com espécies exóticas invasoras, além do avanço desordenado das cidades, empreendimentos e grandes obras de infraestrutura e a mineração contribuem para a degradação da cobertura vegetal original.

“No entanto, é na relação entre a floresta e a água que a importância da Mata Atlântica pode ser melhor compreendida. Os remanescentes regulam a vazão dos rios, atenuando as enchentes, e após as chuvas permitem que a água escoe gradativamente. No Litoral de Santa Catarina, a água do oceano aquece com as altas temperaturas, evapora e forma nuvens. Desta forma, quando os ventos vêm do oceano carregados de umidade, ao tentar passar pela Serra do Mar e Geral, encontram temperaturas mais baixas nas altitudes. Por fim, a umidade se condensa e se transforma em chuva”, frisa.

Robson salienta que as florestas ciliares, localizadas nas margens dos rios, são essenciais para preservar a zona ripária, aumentando a vazão dos rios nas épocas secas, regularizando as vazões, impedindo o assoreamento dos rios e represas, preservando a capacidade dos reservatórios, retendo nutrientes originados da fertilização das lavouras, impedindo a contaminação da água por agrotóxicos, criando ambientes para o desenvolvimento da vida aquática, alimentando e protegendo os ecossistemas ribeirinhos e aquáticos, constituindo corredores de fluxogênicos de vegetação e fauna, essenciais para a conservação da biodiversidade.

“Além disso, seria necessário proteger os fragmentos florestais que ainda estão preservados, garantindo a continuidade dos mesmos. Outra medida seria recuperar os locais degradados, como os ocupados por rejeitos de mineração de carvão, que ainda continuam poluindo, gerando drenagem ácida”, finaliza.

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