Ratão se torna bichinho de estimação de família catarinense

O animal de estimação da família de Ismael Abraão, 38 anos, morador de Chapecó (SC), é um pouco diferente de um pet tradicional. O ratão-do-banhado compartilha refeições e o quarto do dono. “Ratão”, como é carinhosamente chamado, dorme aos pés da cama de Ismael. De melancia a doces, o integrante mais novo da família não dispensa nada. “Ele só não come pedra, porque o resto ele aceita”, relata Ismael, bem-humorado.

Ratão é da família

O animal é um macho e tem cerca de quatro meses. Mas, ele não é órfão. A família do animal também foi ‘adotada’ por Ismael. Durante o dia, Ratão fica com os pais no açude da propriedade rural, localizada na linha Tope da Serra, interior de Chapecó, e durante a noite a atenção é dedicada para a outra família.

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Ismael conta que a criação de ratões-do-banhado começou com o irmão mais velho, há cerca de seis anos. “Meu irmão criava quatro ratões. Ele dava comida, mas eles ficavam só no açude. Com o tempo eles foram se multiplicando até que nasceu o Ratão. Nós pegávamos ele desde pequeno e com isso ele foi se acostumando com a nossa presença e passou a conviver na nossa casa”, relata.

O animal está tão acostumado com a família que chegou a dormir na cama com a irmã de Ismael. “Ele dormia enrolado nos cabelos dela, mas depois que ela foi embora de casa ele se apegou a mim”, diz Ismael que mora com a mãe, Tereza Abraão, e o irmão, Telmo Abraão.

Entre cavalos e ratões

Além de Ratão, a família também possui cerca de dez cachorros, dois gatos e um cavalo. E, acredite se puder, todos convivem em plena harmonia e respeitando os seus espaços.

Características

O biólogo Jackson Fábio Preuss explica que o ratão-do-banhado é um roedor e tem como nome científico Myocastor Coypus. É um animal silvestre e, muitas vezes, confundido com capivaras devido ao seu tamanho que pode chegar a um metro.

Sua longevidade pode chegar a 15 anos e seu peso atingir nove quilos. “Por ser um animal de grande porte, por muito tempo foi uma espécie de caça para fins de alimentação e do uso de sua pele.”

Preuss diz que se trata de um animal semi-aquático que vive tanto na terra como na água, mas possui melhores habilidades na água. Isso porque tem uma membrana interdigital entre os dedos que faz com que o animal seja um bom nadador. Em geral, faz seus ninhos próximos a troncos e barrancos perto de lagos, rios e açudes. Ele vive em grupos e pode se tornar territorialista, defendendo seu território.

Presença massiva

A espécie está presente principalmente na região Sul do país, mas também é encontrada em outros pontos da América do Sul e existem registros da introdução da espécie na América do Norte e na Europa. Apesar de diferente, não é um animal ameaçado de extinção. “Ele faz parte do ciclo biológico e é uma importante presa para carnívoros de médio e grande porte”, exemplifica o biólogo.

Por se tratar de um animal silvestre é protegido por lei e para realizar seu manejo é necessário autorização do órgão ambiental. Preuss explica que animais silvestres, em geral, são portadores de parasitas que podem transmitir doenças. Por isso, não é indicado o consumo de carnes desse tipo de animais. “Manter esses animais em cativeiro e dentro de casas não é aconselhado. O seu comportamento pode ser imprevisível e eles podem até morder uma vez que possuem longos dentes que podem causar ferimentos considerados graves.”

O biólogo acrescenta que o ideal mesmo é não ter contato próximo, respeitar o habitat natural deles evitando riscos tanto ao animal quanto aos seres humanos.

Fonte: ND Mais

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