Projeto inédito cria revestimento cerâmico de parede em braile

Um projeto inédito no país rendeu ao curso de Design – ênfase em Projeto de Produtos da Unesc (Universidade do Extremo Sul Catarinense), em Criciúma, o registro do seu primeiro processo de patente. Projetado pela egressa Yanne Luz para o seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), o produto trata-se de um revestimento cerâmico para paredes de espaços internos e externos com desenhos em alto relevo e escrita braile (sistema de escrita tátil utilizado por pessoas cegas ou com baixa visão) que transformam a informação visual em uma informação tátil, proporcionando acessibilidade e inclusão aos usuários que possuem deficiência visual ao permitir que o conteúdo gráfico possa ser compreendido. Yanne fez parte da terceira turma de formandos pelo Design Unesc e colou grau em fevereiro de 2018. O objetivo é que a ideia saia do papel em um futuro próximo e o revestimento esteja disponível no mercado.

O coordenador do curso de Design da Universidade, João Rieth, explica que o revestimento cerâmico incorporou o braile e possibilita ao leitor saber o que está representado no revestimento, descrevendo por exemplo, a cor das peças por meio de sensações. O braile é identificado pelo deficiente visual, porém, a pessoa que não for, vai perceber ele como uma textura e também como um elemento gráfico.

“Não existia até então nenhum revestimento cerâmico de parede em braile. Buscamos junto ao INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) e não existia nada. Estamos desenvolvendo o processo da primeira patente do curso. É aquilo que sempre imaginamos, que os TCCs dos nossos alunos podem gerar patente porque são projetos inovadores”, afirma o coordenador do curso.

O trabalho de Yanne “Design de revestimento cerâmico para a inclusão de deficientes visuais” teve a orientação da professora Marcele Casagrande Brunel e os testes e o modelo avançado final do produto foi produzido pela Ceusa Revestimentos Cerâmicos, local em que trabalha atualmente. Na quinta fase da graduação, ela participou de uma das edições do concurso Talentos Ceusa, realizado pela empresa e pelo curso de Design da Unesc, que reconhece as ideias mais criativas e inovadoras em cerâmica, e recebeu o convite para estagiar na empresa. Ela já era estagiária da Ceusa há quase um ano na área de Marketing quando começou a fazer o TCC, e segundo ela, como o setor de Marketing e Design da Ceusa trabalham em conjunto, sempre acompanhou o trabalho de criação das peças da cerâmica.

“A ideia de um revestimento que conseguisse transmitir informações por outros sentidos surgiu no momento que percebi que uma superfície, se não explorar outros meios de comunicação além da visual, só pode ser compreendida pela pessoa que enxerga. A maior parte das superfícies que existem só se comunicam de maneira clara e completa de forma visual. Como design gráfico também sempre me interessou, comecei a me questionar como as pessoas com cegueira ou baixa visão poderiam ter essa experiência também. Então surgiu a ideia de criar uma superfície que fosse atrativa e que se comunicasse com usuários visuais e não visuais”, conta.

Yanne afirma ser gratificante saber que o seu projeto pode potencializar outras ideias e abrir outras oportunidades. “Eu me sinto muito realizada por poder atribuir o conhecimento que adquiri na Universidade e também a experiência de trabalho que eu tenho para poder contribuir com uma melhoria na qualidade de vida das pessoas que mais precisam e que possuem soluções muito limitadas para os muitos obstáculos e dificuldades que encontram nas atividades do dia a dia. Na maioria dos casos não se encontram soluções completas para os problemas de inclusão que as pessoas enfrentam, o que mostra que a nossa sociedade ainda precisa trabalhar muito para ser de fato inclusiva e permitir que todas as pessoas, independentemente de suas características, possam ter as mesmas oportunidades e experiências”, afirma a designer.

Para ela, estes problemas existem porque os projetos são feitos pensando apenas um único perfil de usuário, o que acaba criando barreiras. “É essencial que o pensamento inclusivo faça parte de todo e qualquer projeto para construirmos uma sociedade inclusiva. É por meio do Design que posso explorar essa forma de pensar e de projetar”, considera.

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