El Niño deixa marcas na Região Sul
Coluna do Roger Maciel fala sobre os impactos do El Niño
Olá, Amigo Leitor(a)!
El Niño deixa marcas na Região Sul
Na coluna do mês de agosto, discutimos que o desastre não nasce apenas de um fenômeno natural. Ele também é resultado da forma como as cidades ocupam o território, cuidam da infraestrutura e se preparam para proteger a população. Agora, diante da continuidade dos efeitos do El Niño, é preciso observar com atenção o que acontece na Região Sul do Brasil, onde chuvas intensas, enchentes e temporais têm provocado impactos que ultrapassam os limites das áreas urbanas.
As previsões climáticas indicam que a região deve continuar sujeita a períodos de instabilidade, com possibilidade de chuvas acima da média em determinados momentos e ocorrência de eventos extremos. Mesmo quando o fenômeno começa a perder força, seus efeitos não desaparecem imediatamente. A atmosfera e os oceanos continuam influenciando a distribuição das chuvas e das temperaturas. Por isso, municípios do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul precisam manter o monitoramento e não reduzir os cuidados antes que o cenário esteja efetivamente estabilizado.
Já sabemos de largo que o excesso de chuva provoca alagamentos, eleva rapidamente o nível dos rios, interrompe estradas, danifica pontes e compromete o funcionamento de serviços públicos. Em áreas urbanas, a impermeabilização do solo impede a infiltração da água e sobrecarrega sistemas de drenagem muitas vezes antigos ou insuficientes. Nos municípios com relevo acidentado, a saturação do solo aumenta o risco de deslizamentos, principalmente onde a vegetação foi retirada e a ocupação avançou sobre encostas e margens de cursos d’água.
Os impactos ambientais também são significativos. A força da água remove o solo, amplia processos erosivos, transporta sedimentos e contribui para o assoreamento de rios e córregos. Quando esses materiais chegam aos cursos d’água, reduzem a capacidade de escoamento e tornam futuras enchentes ainda mais graves. A qualidade da água também pode ser afetada pelo carregamento de resíduos, esgoto e contaminantes presentes nas áreas urbanas e rurais.
Nas áreas agrícolas, a chuva excessiva prejudica o preparo do solo, atrasa o plantio, danifica lavouras e dificulta a colheita. Estradas rurais destruídas e pontes interditadas impedem o transporte da produção e isolam comunidades. O prejuízo não termina quando a água baixa. Muitas famílias precisam de meses para recuperar o solo, reconstruir estruturas e retomar a atividade produtiva.
Nós aqui da Região Sul já conhecemos os efeitos desses eventos, mas ainda convivemos com decisões adiadas. A prevenção precisa deixar de ser uma promessa para depois da tragédia. Mapear áreas de risco, preservar a vegetação das margens, manter sistemas de drenagem, recuperar rios e orientar a população são medidas que devem fazer parte da rotina municipal.
Meus caros leitores (as)! O El Niño para os próximos meses aqui na nossa região prevê, chuvas acima da média e maior risco para temporais e alagamentos, além de temperaturas elevadas. A chuva não escolhe o município mais preparado ou mais carente. Porém, o tamanho do dano depende das escolhas feitas antes dela. Lembrando que prevenir não é exagero nem gasto desnecessário, é proteger vidas e preservar e o meio ambiente. Investir em prevenção é infinitamente mais barato que em reconstrução.
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Até a próxima! PRESERVE O MEIO AMBIENTE