Dia Nacional da Vacinação: Criciúma se destaca no avanço na cobertura vacinal e alerta para importância da imunização

Município celebra índices acima da média estadual, mas faz um apelo à população para garantir a imunização completa

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“Caderneta cheia é sinal de saúde para a minha família”, exibe orgulhosa e feliz a professora Renata Manenti da Silva, moradora do bairro Mina União e mãe de Renan, Erick e Caroline. A declaração espontânea de Renata expressa a importância do ato de vacinar e reflete o trabalho contínuo da rede municipal de saúde para alcançar as metas estipuladas pelo Ministério da Saúde, que é de 90% da população na maioria das vacinas.

Neste 17 de outubro, Dia Nacional da Vacinação, a atitude da família de Renata evidencia a responsabilidade individual e coletiva no combate a doenças imunopreveníveis. Os principais desafios da saúde pública continuam sendo o combate à desinformação, a atenção da população aos prazos das doses e a manutenção dos cuidados básicos contra a circulação de vírus e bactérias.

A Prefeitura de Criciúma, embora apresente índices de cobertura vacinal superiores à média de outros municípios catarinenses de grande porte, atua constantemente em campanhas de conscientização para incentivar o cumprimento do Calendário Nacional de Vacinação. O prefeito de Criciúma, Vagner Espindola, destaca a relevância das ações educativas e da mobilização permanente.

“A vacinação é uma das políticas públicas mais eficientes de proteção à vida. Nosso compromisso é garantir que as vacinas cheguem a todas as regiões da cidade, conscientizando as famílias sobre a responsabilidade coletiva de proteger nossas crianças, gestantes e idosos contra doenças transmissíveis”, ressaltou.

O vice-prefeito, Salésio Lima, reforça a disponibilidade da estrutura pública e o acolhimento à população.

“Trabalhamos para oferecer uma rede de saúde estruturada, humanizada e acessível em todos os bairros. Vacinar é um ato de amor e de cidadania. Queremos que cada família tenha a tranquilidade de contar com unidades de saúde preparadas para atender seus filhos com segurança”, salientou.

Estrutura municipal e capacidade de atendimento

Criciúma conta com uma rede de imunização estruturada a partir da Central de Distribuição de Vacinas, localizada na Vigilância Epidemiológica, abastecendo as Salas de Vacinação presentes em cada uma das 47 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município.

Em 2025, a rede municipal realizou a aplicação de 236.051 doses, alcançando uma média de 19 mil aplicações mensais. Em 2026, considerando os dados parciais levantados até o mês de setembro, o município registrou 205.347 doses aplicadas, elevando a média mensal para aproximadamente 22 mil imunizações.

O secretário municipal de Saúde, Deivid de Freitas Floriano, destaca a infraestrutura e a dedicação das equipes técnicas na linha de frente.

“Temos uma das redes de imunização mais completas da região, estruturada para atender com agilidade e segurança em todas as nossas Unidades de Saúde. Contudo, a eficiência da rede depende diretamente da presença do cidadão e do empenho dos pais em manter os prazos em dia”, destacou.

Indicadores e desafios da cobertura vacinal

A análise dos indicadores vacinais de Criciúma demonstra avanços expressivos nos últimos anos. Das 19 variedades de imunizantes disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), apenas a primeira dose da vacina Tríplice Viral atingia a meta de 90% em 2024. Em 2025, o número de vacinas que alcançaram a meta subiu para 14, com destaque para a imunização contra a Hepatite B em recém-nascidos, que saltou de 72,62% para 95,81%. Por outro lado, a vacina contra a Febre Amarela registrou 79,07% de cobertura em 2025 e que, apesar da alta de 15,49% em relação ao período anterior, permaneceu abaixo do ideal.

Os dados parciais de 2026, computados até o final de setembro, apontam desempenho favorável em importantes indicadores da vacina para a primeira dose da Tríplice Viral (Sarampo, Caxumba e Rubéola) de 92,38%; o reforço da Meningocócica (ACWY) em 90,48% e a Pneumocócica atingindo os 90,26%.

Apesar desses resultados, a gestão municipal observa que as doses de reforço registram adesão inferior às primeiras doses do esquema básico. O secretário de Saúde alerta os responsáveis para a importância de concluir todas as etapas do esquema vacinal infantil.

“Nos nossos acompanhamentos a importância de priorizar as vacinas contra febre amarela, poliomielite, difteria, tétano, coqueluche e sarampo, com especial atenção à conclusão dos esquemas e às doses de reforço para as crianças. Todas essas variedades estão disponíveis, basta a população atualizar as suas cartilhas”, alertou.

Desafios das vacinas sazonais e os grupos de risco

A imunização contra doenças sazonais, como a Influenza e a Covid-19, exige mobilização constante, principalmente para a proteção dos chamados grupos de risco, integrados por crianças acima de 6 meses, gestantes e idosos, que apresentam maior suscetibilidade a complicações virais. Atualmente, a vacina contra a Influenza segue liberada e disponível para toda a população nas Unidades de Saúde de Criciúma.

Apesar da ampla oferta, a adesão registrada em 2026 ainda requer maior conscientização da comunidade. Em nível estadual, Santa Catarina apresenta uma taxa de cobertura de 53,05% contra a Influenza. Criciúma registra 65,24%, figurando à frente de importantes municípios catarinenses, como Chapecó (55,09%), Blumenau (54,05%), Lages (51,49%) e São José (51,4%).

No entanto, as equipes de Saúde e Setor de Imunização expressam preocupação com o percentual de adesão e reforçam a relevância da vacinação nos grupos prioritários e na população em geral.

“Mesmo com Criciúma mantendo um desempenho superior à média estadual e a outras grandes cidades de Santa Catarina, a adesão às vacinas sazonais em 2026 ainda está aquém do necessário. Precisamos que as gestantes, idosos e pais de crianças pequenas procurem nossas unidades. A baixa adesão cria brechas na proteção coletiva e expõe justamente os grupos mais vulneráveis a internações e gravidades que poderiam ser totalmente evitadas”, alertou o secretário.

Risco à saúde pública

A cobertura vacinal insuficiente pode favorecer a formação de “bolsões” de pessoas não vacinadas, permitindo que vírus e bactérias continuem em circulação. A imunização adequada previne quadros graves de tuberculose, hepatites A e B, difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, rotavírus, pneumonias, meningites, influenza, Covid-19, febre amarela, sarampo, caxumba, rubéola, catapora, HPV e dengue.

A coordenadora de Imunização de Criciúma, a enfermeira Evelyn Brognoli, ressalta que o sucesso do sistema de saúde depende do engajamento de toda a população.

“O Brasil é o país que possui o calendário vacinal mais completo do mundo. Erradicamos diversas doenças no passado e estamos há mais de 30 anos sem casos autóctones de poliomielite. Contudo, o sarampo voltou a preocupar devido a casos importados do exterior. Para conter a circulação de um vírus, precisamos atingir 90% de cobertura, ou seja, vacinar 9 em cada 10 pessoas. Adultos contaminados podem apresentar apenas sintomas leves, mas transmitem o vírus para bebês menores de um ano que ainda não tem idade para receber a vacina, colocando a vida dessas crianças em risco”, explicou a coordenadora.

Estudos epidemiológicos e projeções matemáticas indicam que bastam quatro adultos não imunizados para que um vírus atinja e comprometa a saúde de grupos infantis em fase de formação imunológica.

“Em resumo, o ato de imunização é um ato individual com consequências coletivas. Acredito que ainda há muita falta de informação e falta de consciência sobre os reflexos das nossas ações. Se pudéssemos ver em larga escala os impactos da não imunização, acredito que o cenário seria outro”, salientou Floriano.

Família feliz e protegida

Na Unidade Básica de Saúde do bairro Mina União, a rotina da família Manenti da Silva ilustra a aplicação prática desse cuidado. O pequeno Renan, de 3 anos e meio, entrou na unidade conversando com as equipes e pedindo papel e lápis à enfermeira para desenhar seu super-herói favorito. O irmão Erick, de 2 anos, acompanhou o irmão na mesa da brinquedoteca, enquanto a caçula Caroline, de apenas 7 meses, observava atentamente do colo da mãe.

A mãe, a professora Renata Manenti da Silva, fez questão de apresentar as três cadernetas de vacinação com todas as doses devidamente aplicadas.

“A gente está se imunizando para evitar que eles peguem ou, se pegarem, para ter sintomas menores e evitar que uma coisa simples se torne algo grave. Se eu não fizer a vacina, em qual proporção isso pode atingir eles? Minha missão principal, como mãe, é oportunizar um crescimento saudável a cada um deles, para que eles possam ficar assim, alegres e brincalhões”, afirmou.

Ao escutar a mãe, Renan comentou com entusiasmo: “Eu sou corajoso!”. Renata enfatizou que prioriza o diálogo em casa e que a proteção da família beneficia toda a sociedade.

“As crianças têm contato com outras crianças no parquinho ou na escola, e se todos estão imunizados a chance de o vírus se propagar é muito menor. Mesmo que não fique 100% imune, o corpo vai ter uma resistência e um combate muito maior. Lá em casa, não perdemos nenhuma dose, a caderneta cheia é sinal de saúde para a minha família”, finalizou a professora.

Orientações e calendário vacinal

A atualização do esquema vacinal para crianças pode ser realizada ao longo de todo o ano nas 47 Salas de Vacinação da rede municipal. Além de garantir a proteção à saúde, a apresentação da caderneta de vacinação em dia é um dos requisitos para matrícula e rematrícula na rede pública de ensino do município.

O Calendário Nacional de Vacinação pode ser consultado no endereço oficial do Ministério da Saúde: gov.br/saude.

As Salas de Vacinação ficam abertas ao público de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e 14 unidades com o horário estendido até as 19h e a Unidade do Boa Vista que abre aos sábados das 8h até as 12h. Basta os interessados apresentarem as suas cadernetas ou o cartão do SUS para atualização das doses previstas no Calendário Nacional de Vacinação.