Hiperconectividade na infância: experiências escolares contribuem para um desenvolvimento além das telas

Colégio SATC trabalha uso consciente da tecnologia aliado a atividades práticas que estimulam convivência, criatividade, raciocínio e crescimento integral

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Redação Portal Satc

A tecnologia está cada vez mais presente na rotina das crianças e faz parte de diferentes momentos da vida familiar e escolar. Ao mesmo tempo em que os recursos digitais oferecem novas possibilidades, o uso excessivo de telas pode interferir em aspectos importantes do desenvolvimento infantil. No Colégio SATC, a relação com a tecnologia é trabalhada de maneira integrada ao processo educacional. Nesse contexto, a escola contribui para que os estudantes desenvolvam autonomia, convivência e consciência sobre o uso desses recursos, além de aprenderem a utilizar ferramentas tecnológicas. As propostas da instituição consideram a faixa etária dos estudantes e envolvem desde segurança na internet e programação até atividades desplugadas, jogos, construção e resolução de problemas. "O propósito da nossa escola é mostrar que tecnologia não se resume ao uso de computadores e celulares, mas também envolve criatividade, raciocínio lógico e diferentes formas de encontrar soluções", relata a diretora do Colégio SATC, Izes Machado Beloli.   Desenvolvimento infantil precisa de diferentes estímulos Durante a infância, o cérebro passa por uma etapa intensa de desenvolvimento. Por isso, é importante que as crianças tenham contato com diferentes experiências e não concentrem a rotina apenas nos estímulos digitais. "A criança precisa de estímulos para um desenvolvimento saudável, mais analógico, onde desenvolve a habilidade motora fina, pega uma caneta, um lápis, monta bloquinhos e, a partir dali, começa a fazer seus ensaios para aprendizagens futuras", explica a psicóloga educacional do Colégio SATC, Michelle Silveira. A exposição excessiva às telas pode trazer impactos para aspectos como atenção, linguagem e raciocínio. A hiperconectividade também pode interferir na socialização e na disposição dos alunos para brincar e interagir com outras pessoas. "Uma criança em formação, em pleno desenvolvimento, quando é colocada muitas vezes em frente a estímulos eletrônicos, pode ter prejuízos na socialização. Podendo ter uma tendência a procurar a tela e não querer se relacionar tanto com outras crianças ou brincar", pontua Michelle. A orientação sobre o uso dos dispositivos também precisa considerar a idade. Para crianças de zero a dois anos, a psicóloga recomenda evitar a exposição às telas, com exceção de situações pontuais. A partir dos dois anos, a orientação é que o contato ocorra com supervisão de um adulto e por tempo limitado, priorizando conteúdos adequados à faixa etária. "Até os seis aninhos, uma hora é bastante tempo para a criança ter contato com essa tecnologia. É importante priorizar conteúdos lúdicos e educativos, porque a criança ainda precisa desenvolver outras habilidades e não tem maturidade para fazer seu próprio filtro", conta a psicóloga.   Convivência consciente com a tecnologia Nesse processo, a escola pode contribuir para que os estudantes compreendam que a tecnologia é uma ferramenta e que seu uso precisa estar associado a objetivos e limites. A convivência com outras crianças, as atividades coletivas e as experiências que acontecem fora das telas também fazem parte desse aprendizado. "A escola vem como um laboratório de promoção sociocultural e socio-relacional, de convívio. Onde a criança e o jovem conseguem estabelecer limites e ter essa interação social para entender o quanto isso é benéfico e como é possível se divertir, ter boas relações e experiências que promovam sensações boas", destaca Michele. No Colégio SATC, esse trabalho está presente nas propostas desenvolvidas pela área de Tecnologias Aplicadas. O objetivo da disciplina não é apenas ensinar os estudantes a utilizar equipamentos, mas também desenvolver competências na área. "Trabalhamos a tecnologia de uma forma mais completa, desde a parte de segurança na internet, como usar as ferramentas e como criar jogos lúdicos e educacionais", ressalta a coordenadora de Tecnologias Aplicadas do Colégio SATC, Andreia Scarduelli.   Tecnologia trabalhada longe das telas As atividades desplugadas são outro caminho utilizado para desenvolver o raciocínio lógico e a resolução de problemas. Jogos, construções com peças, atividades com papel e lápis e propostas envolvendo recursos como Lego e Arduino fazem parte desse processo. "Resolver um problema no papel, fazer um jogo, criar e resolver um problema também é tecnologia. Porque esse estudante vai desenvolver o raciocínio lógico e a resolução de problemas", explica Andreia. As propostas são planejadas de acordo com a idade dos estudantes e com os conhecimentos trabalhados em cada etapa. Dessa forma, o contato com os recursos tecnológicos não acontece de maneira isolada, mas integra diferentes habilidades e conteúdos. A segurança no ambiente digital também faz parte desse percurso. Por meio de histórias, livros e atividades adequadas à faixa etária, os estudantes são orientados sobre o uso consciente dos dispositivos e sobre os cuidados necessários no ambiente virtual. "A tecnologia vem para resolver algo, resolver algum problema e estudar tecnologia. Dentro dessa proposta, a escola também faz com que os alunos aprendam a utilizar esses recursos de forma mais consciente", salienta a coordenadora.   Família e escola compartilham responsabilidades A construção de uma relação equilibrada com a tecnologia também envolve a participação das famílias. Para Isabela Spillere, mãe da Luiza, estudante do 1º ano B, a orientação oferecida pela escola contribui para complementar o trabalho realizado em casa. "Considero a utilização da tecnologia algo muito importante e positivo, desde que utilizada de forma orientada, com objetivos pedagógicos e supervisionada. Vejo como uma forma de tornar o aprendizado mais interessante e interativo para as crianças", afirma. A presença da tecnologia na rotina das novas gerações também exige que os estudantes aprendam a utilizá-la de maneira responsável. "Vejo a disciplina de Tecnologias Aplicadas como uma aliada a nós, pais e mães, que muitas vezes tentamos ensinar para as crianças a utilizar a tecnologia de forma consciente e responsável. É importante que eles também entendam os limites, os riscos aos quais estão expostos com o excesso de telas e consigam equilibrar o uso da tecnologia com outras atividades", destaca Isabela. Mais do que restringir ou estimular o uso dos recursos digitais, o desafio está em ensinar as crianças a compreender quando, como e por que utilizá-los. "São experiências práticas, interação social, brincadeiras, atividades manuais e o contato orientado com a tecnologia que podem ocupar espaços complementares no cotidiano escolar", ressalta Andreia. Redação Portal Satc