Loteamentos dão lugar a bairros planejados e mudam lógica do mercado imobiliário

A Weber Cidades Inteligentes com metodologia própria vem transformando o mercado

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Durante décadas, abrir ruas, implantar infraestrutura e colocar terrenos à venda definiu boa parte da lógica dos loteamentos. O mercado imobiliário começa a avançar para outro modelo: os bairros planejados, nos quais o lote deixa de ser o único produto e passa a fazer parte de um ecossistema que reúne moradia, comércio, serviços, educação, saúde, lazer e mobilidade.

A mudança acompanha uma transformação no comportamento dos consumidores. Mais do que metragem, número de dormitórios ou estrutura interna de um condomínio, ganha importância a experiência proporcionada pelo lugar onde se vive.

Na prática, o endereço passa a valer não apenas pela casa ou apartamento, mas pelo que existe ao redor.

Esse movimento tem reflexos em Santa Catarina. A Weber Cidades Inteligentes, desenvolvedora urbana com sede em Braço do Norte, no Sul do estado, adotou esse conceito em projetos desenvolvidos em diferentes municípios. Em outubro, a empresa completa 40 anos de atuação.

De vender terrenos a construir bairros

A evolução dos projetos imobiliários acompanhou as mudanças no estilo de vida das famílias.

Condomínios fechados ganharam espaço com a busca por segurança e privacidade. Depois, os condomínios-clube incorporaram piscinas, academias, salões de festas e outras estruturas de lazer.

Agora, uma nova transformação ganha força.

Em vez de tentar colocar toda a vida do morador dentro dos muros, os bairros planejados procuram aproximar as atividades cotidianas. Escolas, serviços de saúde, comércio, trabalho, lazer e áreas verdes passam a fazer parte do planejamento urbano.

A lógica é simples: reduzir a necessidade de grandes deslocamentos e tornar o bairro funcional para diferentes momentos da vida.

Para Fernando Weber, CEO da Weber Cidades Inteligentes, essa transformação altera inclusive a maneira como as empresas precisam pensar o desenvolvimento imobiliário.

“O lote continua sendo importante, mas ele passa a fazer parte de algo maior. Quando planejamos um bairro, precisamos pensar onde as pessoas vão estudar, trabalhar, buscar atendimento de saúde, comprar e conviver. O valor não está apenas no terreno, mas na cidade que se desenvolve naquele espaço”, afirma Weber.

Tempo passa a fazer parte do valor do imóvel

Um dos fatores que impulsionam essa transformação é um recurso que não aparece na matrícula do imóvel: o tempo.

Morar próximo ao trabalho, à escola dos filhos, ao supermercado ou aos serviços de saúde pode reduzir horas gastas em deslocamentos durante a semana.

Esse conceito se aproxima de uma tendência internacional de urbanismo conhecida como “cidade de 15 minutos”. A proposta é permitir que parte significativa das necessidades cotidianas seja atendida em trajetos curtos, preferencialmente a pé, de bicicleta ou por meios de transporte integrados.

Não significa que o morador deixe de circular pela cidade. A ideia é diminuir a obrigação de realizar grandes deslocamentos para qualquer atividade básica.

Nesse modelo, calçadas, áreas verdes, comércio, equipamentos públicos e privados e conexão entre diferentes usos passam a influenciar diretamente a qualidade do empreendimento.

Educação e saúde viram âncoras dos novos bairros

Na experiência da Weber Cidades Inteligentes, a estratégia passa também pela atração de operações capazes de gerar movimento e serviços permanentes.

Educação, inovação, saúde e bem-estar estão entre os pilares utilizados pela empresa no desenvolvimento dos projetos.

Em vez de comercializar todos os terrenos e encerrar a participação após a implantação da infraestrutura, determinadas áreas são reservadas para receber negócios considerados estratégicos para o funcionamento futuro do bairro.

Instituições de ensino, unidades de saúde, supermercados, empresas de tecnologia, serviços e outros empreendimentos podem funcionar como âncoras.

A estratégia busca criar demanda própria e fazer com que o bairro tenha atividade além da função residencial.

“Um bairro não pode ser pensado apenas para a hora em que as pessoas chegam em casa. Ele precisa funcionar ao longo do dia, gerar oportunidades e oferecer serviços. Quando educação, saúde, empresas e moradia ocupam o mesmo território, começa a existir um ecossistema urbano”, explica Fernando Weber.

Modelo catarinense avança para outras cidades

A Weber Cidades Inteligentes aplica essa estratégia em diferentes projetos no Sul do Brasil.

Em Araranguá, a Cidade Universitária foi estruturada tendo a educação e a inovação entre seus principais eixos. O projeto recebeu campus universitário e agora recebe a integração com atividades de inovação e saúde.

Em Passo de Torres, o Bairro Inteligente Novo Passo ocupa uma área de 55 hectares. O planejamento contempla infraestrutura urbana e espaços destinados a serviços, saúde e atividades comerciais.

Criciúma também recebeu um projeto baseado nessa lógica. A VISAC — Cidade Inteligente Criciúma, na região do bairro São Luiz, foi planejada a partir do conceito de aproximar moradia, educação, tecnologia, serviços e novas atividades econômicas.

A expansão chegou ainda ao Rio Grande do Sul. Em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, o projeto de uma cidade inteligente prevê integração entre educação, qualificação profissional, comércio, serviços e áreas residenciais.

Apesar das características diferentes de cada município, os projetos compartilham uma mesma premissa: o desenvolvimento não termina na entrega da infraestrutura do loteamento.

Bairro passa a influenciar decisão de compra

A transformação também modifica a disputa do mercado imobiliário pelo consumidor.

Dois imóveis semelhantes em metragem e padrão construtivo podem ter percepções de valor diferentes conforme a estrutura existente ao redor.

A proximidade de escolas, unidades de saúde, áreas verdes, supermercados, restaurantes e locais de trabalho passa a integrar essa equação.

Outro fator é a possibilidade de caminhar pelo bairro e utilizar espaços públicos de forma cotidiana.

Com isso, incorporadores e desenvolvedores urbanos precisam olhar além dos limites do terreno.

O planejamento passa a considerar não somente quantas unidades podem ser comercializadas, mas como aquele território funcionará quando estiver ocupado.

Weber Cidades Inteligentes chega aos 40 anos

A mudança no conceito de desenvolvimento urbano coincide com um momento simbólico para a Weber Cidades Inteligentes.

Fundada em Santa Catarina, a empresa completa 40 anos em outubro de 2026. Ao longo desse período, a atuação passou a incorporar projetos de maior escala e modelos de desenvolvimento baseados na criação de bairros planejados.

Para Fernando Weber, a transformação também reflete uma mudança de responsabilidade de quem desenvolve grandes áreas urbanas.

“Quando uma empresa desenvolve uma área que receberá milhares de pessoas, ela está ajudando a construir uma parte da cidade. Isso exige pensar décadas à frente. As ruas, os serviços, os espaços de convivência e as atividades econômicas implantadas hoje vão influenciar a rotina de gerações”, afirma o CEO.

A tendência aponta para uma mudança de perspectiva no setor.

O lote permanece como parte fundamental do negócio. Mas, nos projetos de maior escala, ele deixa de ser analisado isoladamente.

A rua, a escola, o comércio, a mobilidade, a área verde e os serviços entram na mesma conta.

No novo desenho do mercado imobiliário, vender um endereço passa também por construir o que existirá ao redor dele.


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