A maternidade é, para muitas mulheres, um divisor de águas — não apenas na rotina, mas na forma de enxergar o mundo. Mais do que uma experiência individual, ser mãe envolve mudanças emocionais profundas, novos olhares sobre o outro e um constante exercício de equilíbrio entre diferentes papéis.
Para esta reportagem especial de Dia das Mães, a história é da cardiologista Amanda Bolan, que encontrou na maternidade uma verdadeira transformação pessoal e profissional.
A chegada de um filho representa, segundo Amanda, um verdadeiro “check-up emocional”. A maternidade desloca o foco do “eu” para o “outro”, ampliando sentimentos como empatia, paciência e cuidado. Essa mudança ultrapassa o ambiente familiar e impacta diretamente sua atuação profissional.
“Hoje, quando atendo um paciente, não vejo apenas um caso clínico; vejo o amor de alguém. Ser mãe me fez compreender o peso dos vínculos”, relata.
Embora o nascimento seja um marco inesquecível, são os detalhes do cotidiano que mais emocionam. O olhar de confiança, os silêncios compartilhados e as pequenas conquistas da criança ganham um significado profundo.
“Ver meu filho superar um desafio simples e buscar meu olhar para celebrar é o que reafirma meu propósito todos os dias.”
A maternidade também ressignifica a relação com a própria mãe. Ensinamentos antes sutis passam a ter outro valor.“O julgamento deu lugar à gratidão. Hoje, vejo minha mãe como uma heroína, que não precisa de capa, apenas de um abraço.”Entre os aprendizados que carrega, está a importância da presença — mesmo quando não é física — e da resiliência diante dos desafios.
Conciliar maternidade, carreira e outras responsabilidades segue sendo um dos maiores desafios. Para Amanda, o segredo está menos na perfeição e mais na presença.“Nem todos os dias são equilibrados. Aprendi que não preciso ser uma supermulher, mas estar inteira onde estou.”
Em tempos de excesso de informação e exposição digital, proteger a infância se torna uma tarefa ainda mais complexa. A pressão por uma maternidade idealizada, muitas vezes reforçada pelas redes sociais, também pesa.“A maior dificuldade é criar filhos com segurança sem perder a essência da infância, além de lidar com a culpa que tantas mães sentem.”
Apesar dos desafios, a maternidade é marcada por alegrias únicas. A redescoberta do mundo através do olhar da criança e os momentos simples do dia a dia são fontes constantes de felicidade.“É uma alegria inexplicável ver traços nossos florescendo neles.”
Definir o amor de mãe pode parecer impossível, mas Amanda resume em uma frase:“É ter o coração batendo fora do próprio peito, para sempre.”
Mesmo sendo considerada a base da sociedade, a maternidade ainda enfrenta falta de valorização prática. A necessidade de políticas públicas, redes de apoio e mais compreensão no ambiente de trabalho é urgente.“Valorizar a maternidade vai além de datas comemorativas.”
Mais do que qualquer conquista, o desejo é deixar uma marca afetiva duradoura.
“Quero que meus filhos se lembrem de mim como um porto seguro. Que saibam que sempre terão para onde voltar.”