Qual deve ser o verdadeiro sentido do Natal?
Com o Natal se aproximando, conversando com minha mãe ao telefone, ela me contou um relato muito interessante. Minha irmã, que é psicóloga e faz um trabalho voluntário em um abrigo para menores carentes em Araranguá, pediu às crianças que escrevessem uma cartinha para o Papai Noel com seus pedidos de Natal, algo que gostariam […]
Com o Natal se aproximando, conversando com minha mãe ao telefone, ela me contou um relato muito interessante. Minha irmã, que é psicóloga e faz um trabalho voluntário em um abrigo para menores carentes em Araranguá, pediu às crianças que escrevessem uma cartinha para o Papai Noel com seus pedidos de Natal, algo que gostariam de ganhar. E assim, todas escreveram suas cartinhas com seus respectivos desejos.
Ao abrir e ler a primeira cartinha, minha irmã se deparou com um pedido muito simples, inusitado e de doer o coração: “Papai Noel, queria muito ganhar um miojo, pois nunca comi e queria provar.” Outra cartinha dizia: “Queria muito ganhar um pacote de bolachas!”
Quando minha mãe me relatou isso, ambas choramos, pois sabemos que aquilo que muitas vezes não queremos dar aos nossos filhos por escolha — já que podemos comprar algo melhor para eles — é o sonho de uma criança carente que sonha em comer um miojo.
Bom, não preciso dizer mais nada. A gente se preocupa tanto em reclamar que, muitas vezes, esquecemos que tudo aquilo pelo qual reclamamos em nossas vidas e não agradecemos é, muitas vezes, o sonho de alguém. A casa grande da qual você reclama por ter que limpar agora no Natal é o sonho de quem não tem sua casa própria. O marido ou a esposa que você tem é o sonho de quem quer encontrar um companheiro. Você reclama de seus pais, mas existem filhos que dariam tudo para tê-los de volta neste Natal.
Enfim, devemos olhar para as nossas vidas e entender o verdadeiro sentido do Natal, que é o nascimento de Jesus, o nosso salvador, e ajudar o próximo. O próximo não está muito longe; geralmente, ele é o seu vizinho, a sua mãe que te liga e você não quer atender, a sua esposa para quem você não quer dar atenção. Se eu fosse escrever aqui sobre todas as coisas ruins e mesquinhas às quais nos apegamos, seria necessário um livro, não apenas uma coluna.
Vamos valorizar o que realmente importa: o espírito do Natal, não esse consumismo desesperado de ter para aparentar ou se endividar para pertencer. Se até Jesus, no momento mais difícil da vida dele, preferiu andar com Maria Madalena ao seu lado, meu amigo, sinto em lhe dizer que estamos fazendo tudo errado, preocupados com o carro que iremos comprar, o maior peru que iremos assar. Enquanto isso, existem crianças em nosso país que sonham em comer um miojo ou um pacote de bolachas.
Pense nisso.