Vaguinho vive a realidade nua e crua das ruas – e o desafio que vem depois

Em tempos em que a política muitas vezes se distancia da realidade das ruas, a iniciativa do prefeito de Criciúma, Vagner Espíndola, de viver por quase 24 horas como uma pessoa em situação de rua merece ser destacada. Não se trata apenas de um gesto simbólico, mas de uma verdadeira imersão para sentir na pele […]

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Em tempos em que a política muitas vezes se distancia da realidade das ruas, a iniciativa do prefeito de Criciúma, Vagner Espíndola, de viver por quase 24 horas como uma pessoa em situação de rua merece ser destacada. Não se trata apenas de um gesto simbólico, mas de uma verdadeira imersão para sentir na pele o que essa população enfrenta diariamente. Dormir ao relento, sentir o frio, a fome e o olhar de desconfiança das pessoas é uma experiência transformadora, e poucos gestores públicos se dispõem a tamanha entrega.

Sigilo

O fato de ter mantido tudo em sigilo, revelando a identidade apenas na manhã desta terça-feira, 29, reforça o caráter genuíno da iniciativa. Não foi um ato para as câmeras, mas sim para compreender, de forma autêntica, as dificuldades de quem vive à margem. Essa vivência certamente dará mais sensibilidade às futuras decisões da Prefeitura no enfrentamento da questão social.

Veja aqui o vídeo da experiência de Vaguinho

Desafio

O desafio agora é transformar essa experiência em políticas públicas efetivas. Criciúma precisa ampliar sua rede de acolhimento, investir em saúde mental, combater a dependência química e criar oportunidades reais de reinserção social. A empatia, por si só, não resolve os problemas, mas é um ponto de partida poderoso. Num país onde a indiferença costuma prevalecer, a atitude de Vaguinho Espíndola mostra que é possível governar com sensibilidade. Que este gesto inspire outros gestores a olhar mais de perto para a realidade das pessoas em situação de rua, não de cima do palanque, mas ao lado delas, onde a vida realmente acontece.

Resultado

Estou certo de que a vivência de um dia como morador de rua em Criciúma, numa experiência única, servirá para melhor entendimento da vida real nas ruas. Obviamente, não se espera da atitude, apenas um ato político e aparição à mídia, mas que resulte em ações práticas, a exemplo do acolhimento a essas pessoas, e que tem avançado no município. “Nos próximos dias, vamos apresentar novas medidas, unindo segurança, recuperação e oportunidade. Todas baseadas no que vivi pessoalmente nas ruas de Criciúma”, afirmou Vaguinho.

Viagem a Washington: pouca esperança, improviso e omissão do Planalto

Comitiva de senadores deu início a série de encontros em Washington para tratar do tarifaço de Trump / Foto: Samyra Galvão/Gab. Senador Nelsinho Trad

A ida dos senadores brasileiros a Washington para tentar reverter as tarifas de 50% impostas pelos EUA ao aço, alumínio e outros produtos nacionais soa mais como espetáculo político do que como uma estratégia diplomática séria. A imprensa nacional e internacional tem criticado: a comitiva chegou tarde, mal articulada e com pouco peso político para mudar qualquer decisão da Casa Branca. As tarifas já estão em vigor, e não há sinal de que o governo americano esteja disposto a abrir exceções. Enquanto isso, nossos parlamentares se esforçam para garantir encontros protocolares, fotos e agendas de última hora que dificilmente terão efeito prático. O Brasil, mais uma vez, parece ter perdido o timing.

Responsabilidade

Parte dessa responsabilidade recai sobre o próprio presidente Lula. Em vez de liderar uma ofensiva diplomática consistente, preferiu gastar energia atacando Donald Trump em discursos, reforçando um clima de confronto desnecessário. Enquanto o governo norte-americano atua com pragmatismo em defesa de seus interesses, o Planalto age como se a retórica resolvesse problemas comerciais. Mais grave ainda é que essa crise parece não preocupar o Governo Federal. Em vez de buscar um diálogo real com Washington, Lula acena com a possibilidade de “ajustar” o alinhamento das exportações brasileiras com outros mercados, especialmente a China, movimento que pode ampliar o distanciamento com os EUA e gerar novos atritos comerciais.

A tentativa

Enquanto isso, senadores até tem tido algumas reuniões em Washington, porém, setores produtivos brasileiros já sentem o impacto do chamado “Tarifaço”, com risco real de queda nas exportações, fechamento de fábricas e perda de empregos. O que está em jogo é a credibilidade do Brasil no comércio internacional, e ela está sendo corroída pela falta de planejamento e liderança do governo federal. Em suma, pelo menos, os senadores estão tentando fazer algo produtivo para evitar a crise.


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