Cuidado: você pode estar se conformando demais

Tem coisa mais confortável do que saber exatamente o que esperar de um dia de trabalho? Você chega, senta na mesma mesa, abre os mesmos sistemas, fala com as mesmas pessoas, resolve as mesmas demandas. E, quando vê, mais uma semana passou. E você nem sabe direito o que fez. A rotina pode parecer eficiente. […]

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Tem coisa mais confortável do que saber exatamente o que esperar de um dia de trabalho?

Você chega, senta na mesma mesa, abre os mesmos sistemas, fala com as mesmas pessoas, resolve as mesmas demandas. E, quando vê, mais uma semana passou. E você nem sabe direito o que fez.

A rotina pode parecer eficiente. Ela economiza energia, evita surpresas, passa aquela sensação de controle.

Mas o problema é quando esse “mais do mesmo” vira regra. Quando você não percebe mais que está parado. Só continua. No automático.

E aí, sem perceber, começa a abrir mão de algo que deveria ser inegociável: a sua auto realização.

O que o piloto automático esconde

Nosso cérebro adora repetir padrões. É uma forma de poupar energia e agilizar decisões. Por isso, escolhemos o mesmo caminho pro trabalho, usamos as mesmas expressões, sentamos nos mesmos lugares. Fazemos isso até com as pessoas: classificamos, rotulamos, decidimos com quem vale a pena gastar energia.

Esse mecanismo é natural. Mas quando ele invade a forma como você atua no trabalho, o prejuízo vem.

Você começa a repetir processos só porque “sempre foi assim”.

Evita propor mudanças porque “ninguém vai aceitar mesmo”.

Não testa nada novo, porque “já tem muita coisa pra fazer”.

E é aí que a inovação morre. Não a inovação como grande ideia disruptiva. Mas aquela do dia a dia. Aquela que vem da sua curiosidade, da sua escuta atenta, da sua vontade de fazer melhor.

Desenvolver também é desconstruir

Trabalho, antes de tudo, é lugar de troca. Você entrega resultado, mas também se desenvolve. Contribui, mas também cresce.

Só que crescer dá trabalho. Exige desconstruir verdades que você repete há anos. Envolve se expor, errar, se frustrar.

É desconfortável, mas necessário.

Porque enquanto você evita a dor de sair do lugar, aceita o custo silencioso de não se movimentar. E esse custo é alto: falta de motivação, sensação de estagnação, perda de propósito.

Não é vingança, é autossabotagem

Tem gente que tenta justificar esse comportamento com discursos grandiosos. Como se agir no automático fosse uma forma de protesto.

“Não vou me matar pela empresa.”

“Vou fazer só o mínimo, porque ninguém reconhece mesmo.”

Só que quem mais perde com isso é você. Não é o sistema que fica travado. É seu repertório. É a sua evolução que fica comprometida. E pior: com o tempo, você acredita que aquele mínimo é o máximo que consegue entregar. E passa a viver abaixo da sua potência.

Movimento é condição para crescer

Desenvolvimento não acontece isolado. Ele precisa de ambiente, de desafio, de experiência. É no atrito, na tentativa, no erro e na curiosidade que você se reinventa.

E não estou falando de virar outra pessoa. Estou falando de se permitir ser mais você. De acessar partes que você ainda não teve coragem de explorar. De aprender com o que ainda não sabe, com quem pensa diferente, com o que ainda assusta.

É nesse movimento que a criatividade aparece. É nessa entrega que o trabalho ganha mais sentido.

O mundo está mudando. E você?

O mundo do trabalho está em constante transformação. Tecnologia, comportamento, cultura, exigências. Tudo gira rápido.

E aí fica o convite: enquanto tudo se move, você vai continuar parado? Vai continuar se contentando com aquela zona de conforto que só parece segura, mas te puxa pra trás? Ou vai escolher sair do automático e assumir a responsabilidade pelo seu próprio desenvolvimento?

Talvez você não possa mudar tudo de uma vez. Mas pode começar a observar onde está repetindo padrões que já não fazem mais sentido. Pode fazer uma pergunta nova. Propor um teste. Buscar uma referência diferente.

O mundo do trabalho está em movimento. E você, anda parado demais por aí?

 

 

Saionara Ugioni

Administradora com mais de 14 anos de atuação em tecnologia, liderando projetos voltados à inovação e à transformação de negócios. É CEO da InnCash, empresa que apoia grandes corporações na modernização do setor financeiro. Também atua como Diretora do Polo Regional da ACATE – Cetus e da ACIC, contribuindo ativamente para o fortalecimento do ecossistema de empreendedorismo e inovação no Sul de Santa Catarina.

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