Pré-diabetes: Como identificar sinais precoces no dia a dia
Apesar de atingir milhões de brasileiros, o pré-diabetes ainda é pouco compreendido por grande parte da população. Para ter ideia, em 2018, uma pesquisa conduzida pelo Ibope, a pedido da empresa Merck, apontou que 42% da população do País desconhecia o quadro e suas consequências. A condição é caracterizada por níveis de glicose no sangue […]
Apesar de atingir milhões de brasileiros, o pré-diabetes ainda é pouco compreendido por grande parte da população. Para ter ideia, em 2018, uma pesquisa conduzida pelo Ibope, a pedido da empresa Merck, apontou que 42% da população do País desconhecia o quadro e suas consequências.
A condição é caracterizada por níveis de glicose no sangue acima do normal, mas ainda não suficientes para se enquadrar como diabetes tipo 2. O perigo está justamente no fato de que o pré-diabetes raramente apresenta sintomas evidentes, o que dificulta o diagnóstico precoce.
Mas como saber se tenho pré-diabetes? Para que uma pessoa saiba se convive com o pré-diabetes, é necessário realizar exames laboratoriais que indiquem alterações nos níveis de glicose. Os principais critérios incluem:
- Glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL;
- Hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4% (esse exame reflete a média da glicose no sangue nos últimos três meses);
- Teste oral de tolerância à glicose (TOTG) com resultado de glicemia, após duas horas, entre 140 e 199 mg/dL.
Esse é um quadro que afeta cada vez mais brasileiros. De acordo com o Atlas da Federação Internacional de Diabetes (IDF), em 2024, 15,2 milhões de pessoas no Brasil receberam diagnóstico de glicose em jejum prejudicada e 17,7 milhões de tolerância à glicose diminuída.
É possível reverter?
“Sim, o pré-diabetes pode ser reversível, especialmente quando diagnosticado precocemente”, aponta Tarissa Petry, endocrinologista do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Investir em alimentação saudável, atividade física regular e perda de peso pode normalizar os níveis de glicose e prevenir a progressão para o diabetes. Para alguns pacientes, o uso de medicamentos pode ser necessário.
Além disso, de acordo com estudos, como estabelecido pelo Programa de Prevenção do Diabetes (DPP), a diminuição de 5% a 10% do peso corporal já pode reduzir bastante o risco de evolução para a doença.
De qualquer forma, Luciano Giacaglia, coordenador do Departamento de Diabetes Tipo 2 e Pré-diabetes da SBD, ressalta que, quando o assunto é pré-diabetes e diabetes, o termo mais adequado é “remissão” e nunca “cura” ou “reversão”.
É que, apesar do controle dos níveis de glicose no sangue, quando uma pessoa desenvolve pré-diabetes, entende-se que ela já perdeu um percentual da função do pâncreas e das células beta pancreáticas, responsáveis pela produção de insulina.
Algumas dessas células podem voltar a funcionar, mas grande parte é, de fato, perdida, e não se regenera. “Por isso, não é possível recuperar a função como era antes. É justamente por essa razão que a prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais”, alerta o médico.
Fonte: Portal Terra