No dia 9 de abril, o presidente Donald Trump anunciou um prazo de três meses para que países firmassem novos acordos comerciais com os Estados Unidos, sob pena de enfrentarem tarifas “recíprocas” mais elevadas. Com apenas cinco dias restantes para o fim desse período, a expectativa é de que a Casa Branca comece a notificar cerca de uma dúzia de nações: “O prazo acabou e aqui está sua nova tarifa”.
Durante uma declaração na Base Conjunta Andrews, nesta sexta-feira (4), Trump informou que enviará cartas a 10 ou 12 países por dia ao longo da próxima semana, especificando as novas tarifas. Ele explicou que, na maioria dos casos, essas tarifas entrarão em vigor em 1º de agosto. “Os valores vão variar entre 10% e 70%, mas as cartas começam a ser enviadas amanhã”, afirmou. “Já temos o modelo final pronto, que detalha o quanto cada país pagará.”
Em abril, Trump já havia imposto tarifas “recíprocas” de até 50% contra os principais parceiros comerciais dos EUA. Agora, com a possibilidade de tarifas chegando a 60% ou 70%, os mercados reagiram de forma negativa: as ações caíram fortemente, os títulos foram vendidos e o dólar teve desvalorização. Embora os mercados norte-americanos estivessem fechados nesta sexta-feira (4) por conta do feriado do Dia da Independência, as bolsas e os contratos futuros ao redor do mundo registraram queda.
Ainda não está definido quais países receberão as notificações, mas Trump já criticou alguns de seus parceiros por manterem negociações consideradas “injustas”, como a União Europeia e o Japão. Esta semana, o presidente chegou a ameaçar aplicar uma tarifa de até 35% sobre o Japão, ao qual se referiu como “mimado”, embora isso possa ter sido apenas uma estratégia de pressão.
O presidente afirmou que pretende que todas as cartas sejam enviadas até o dia 9 de julho — prazo estabelecido pelo próprio governo para a conclusão dos acordos. No entanto, autoridades da Casa Branca já indicaram que esse cronograma pode ser ajustado para os países que demonstrarem disposição para negociar.
No caso da Índia, por exemplo, que ainda está em conversas com os Estados Unidos, a secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou na semana passada que “o prazo não é essencial”. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, também comentou à Fox Business que acredita ser possível finalizar as negociações até o Dia do Trabalho, o que abriria caminho para uma conclusão mais organizada dos acordos, indo além do limite inicial de 9 de julho.










