Aninha do Bento
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Agosto é pleno verão aqui na Itália… começo a trabalhar às 6h no centro da cidade… Tudo quietinho, silencioso, fresquinho ainda…
Vejo uma bandeira do Brasil, quase não acredito… um grupo de pessoas organizam um evento… cores e alegria… São todos romagnolos, com seu dialeto que aprendi a compreender bem…
A homenageada é Aninha… chegou aqui com seu amor, Giuseppe, que aqui ao lado, numa cidadezinha chamada Lugo, juntou mil homens, que o acompanharam para unir um país dividido em pedacinhos.
Vieram do Brasil, depois de uma revolução desgastante e violenta. Aqui, foram, lutaram e voltaram vitoriosos, tinham unido os reinos da Itália… Mas as coisas mudaram… antes heróis, agora fugitivos… Aninha, grávida, e seu amor se esconderam aqui nos pântanos, num capanno… No calor sufocante, que de tão úmido era infestado de mosquitos… Aninha padeceu… Aninha se foi.
E mais de um século depois, Aninha é heroína de dois mundos… e aqui em Ravenna a festa é para ela… e a estátua linda, perto da Stazione di Treni é dela… a mulher que nunca foi esquecida.
Ana, Anita… a Aninha do Bentão
Leiam este livro quando puderem, é dos anos 80 ou 90, de Walter Zumblick… tem em PDF.
Ah, o capanno existe ainda naquele pântano… e a estátua também…