Mentiram: você não é racional

O conteúdo desta postagem é uma opinião pessoal e inteiramente de responsabilidade de seu autor, que por ser colunista, não necessariamente reflete a opinião de nosso veículo de imprensa.   Diante de tantos vícios, homicídios e fome, me parece prepotência chamar o ser humano de racional, pois vamos contra a lógica, contra nossos deuses, contra […]

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O conteúdo desta postagem é uma opinião pessoal e inteiramente de responsabilidade de seu autor, que por ser colunista, não necessariamente reflete a opinião de nosso veículo de imprensa.

 

Diante de tantos vícios, homicídios e fome, me parece prepotência chamar o ser humano de racional, pois vamos contra a lógica, contra nossos deuses, contra a natureza e contra as ciências. Mas, ainda assim, nos apontamos como seres racionais. Irônico, não?

São tantas provas filosóficas e reflexivas de nossa irracionalidade que eu não sei por onde iniciar… me sinto como um doutor em física tendo a tarefa de explicar o formato do planeta. Mas acredito que esse exercício será um tanto interessante e pragmático e eu acredito que essa seja uma reflexão a qual vale a pena, tanto para mim quanto para meu leitor.   

É fácil entrar em uma linha na qual o homem se faz protagonista, já que nos espalhamos por todo planeta, criamos smartfones, bombas e até os astros da internet. Mas não levamos em consideração nossas irracionalidades, pois as tratamos como patologia, surto ou algo particular de uma pessoa. O trauma se torna individual, exclusivo de um indivíduo, que por conta de seu diagnostico, pode até ser excluído de uma sociedade ou escondido em um prédio.

Fichte diz: “O sentido da espécie humana não consiste apenas em ser racional, mas em tornar-se racional”. Usamos o argumento de que somos racionais como ponto definitivo, ponto de estadia vitalícia e até mesmo como aval para atrocidades contra nossa própria espécie e contra outros seres vivos. Porém, não se nasce racional, se faz racional. Quem não se compreende perfeitamente e permanece um ser enigmático para si próprio está mais perto da chamada “racionalidade”. Aquele que pergunta pela essência do homem se torna, então, concreto e a concretude não se faz do dia para noite, ou de um uma primavera a outra, mas se faz como exercício constante. 

Para mim, o ápice da nossa irracionalidade são os esforços desenfreados para destruir o que assegura nossa existência, com intenções financeiras e de curto prazo. A preservação do planeta é deixada de lado em detrimento de tecnologias ultrapassadas que condenam o mundo em que vivemos. Ou, ainda, esforços exagerados pelas aspirações individuais e financeiras. 

Os seres humanos não pode ser só contradições; precisamos racionalizar tudo o que acreditamos para então aplicar em nossas vidas e programar como viver melhor com aquilo que podemos fazer. 

Por fim, quero deixar uma frase de Nietzsche que sintetiza tudo que foi escrito aqui: “O homem é corda estendida entre o animal e o Super-homem: uma corda sobre um abismo; perigosa travessia, perigoso caminhar; perigoso olhar para trás, perigoso tremer e parar”.

Contato: https://linktr.ee/GustavoKabelo


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