Mães narcisistas

O conteúdo desta postagem é uma opinião pessoal e inteiramente de responsabilidade de seu autor, que por ser colunista, não necessariamente reflete a opinião de nosso veículo de imprensa.   No Brasil – e talvez em uma proporção global – estamos em um momento de patologização da vida. Seja nas escolas ou nas casas, é […]

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O conteúdo desta postagem é uma opinião pessoal e inteiramente de responsabilidade de seu autor, que por ser colunista, não necessariamente reflete a opinião de nosso veículo de imprensa.

 

No Brasil – e talvez em uma proporção global – estamos em um momento de patologização da vida. Seja nas escolas ou nas casas, é difícil fugir dos laudos “interneteiros”. Assim, nem mesmo as mães escapam da última moda brasileira.

Em termos gerais, uma pessoa narcisista ou com transtorno narcisista tende a ter uma dependência de afeto, a precisar constantemente de afago em seu ego ao mesmo tempo que não se preocupa com a necessidade dos outros. Esta é uma rápida definição que você pode encontrar facilmente na internet, em vídeos rápidos e sites que fortalecem uma definição mais genérica. Acontece que, na realidade, diagnosticar uma pessoa com um transtorno é um processo lento, que envolve mais de um profissional. É muito comum um indivíduo ter uma ou mais características de um transtorno, porém, não fechar todos os pré-requisitos para um diagnóstico. 

Os narcisistas existem e realmente há mães narcisistas; porém, esse desenrolar me faz pensar que há um déficit no desenvolvimento destas relações. Falta assistir essas mães por outra ótica além do papel materno, pois ali existe uma pessoa que antes de ser mãe, se constitui como sujeito, com suas demandas e individualidades que parecem desaparecer quando usamos o termo “mãe”. Uma dose de abstenção de seus desejos para a satisfação dos desejos do filho obviamente é normal, mas quando essa mulher se volta aos seus próprios desejos me parece que ela é, em alguns casos, realmente julgada e até mesmo “taxada” erroneamente como narcisista. Como já alertei em outros textos, essa massa de conteúdo existe para gerar engajamento, e como podemos ver, as mães também foram afetadas por esse esforço para ganhar alguns likes. Eu acredito que seja um tanto covarde este tipo de conteúdo, que é veiculado sem orientar o público sobre o processo e a importância de um diagnóstico feito por um profissional. Mas, para aqueles que o fazem minha crítica não se faz valer.

Ao mesmo tempo, percebam que não existe um movimento tão grande sobre pais narcisistas. Me parece que o pai tem o “aval” para se preocupar mais consigo e se isolar de alguma forma, enquanto a mãe “perde” esse poder e essa individualidade na maternidade. Em certos casos, aparenta ser um movimento um tanto fácil chamar a mãe de narcisista quando ela não atende suas demandas e desejos. 

Mas, é claro, o caráter narcisista existe e deve ser considerado com cautela, fugindo dos modismos da internet. Se o seu caso for de uma mãe/pai narcisista, busque terapia e acompanhamento psicológico, porque será muito difícil levar um narcisista para este caminho. Busque cuidar da mente e ser orientado por especialistas e artigos confiáveis.

 

Contato: https://linktr.ee/GustavoKabelo