O Efeito Cobra nos indicadores empresariais: Quando boas intenções agravam problemas

A maneira como você escolhe os incentivos de um sistema de gestão determinará o comportamento que ele terá. Por isso, é essencial ter cautela quando implementamos métricas e indicadores nas empresas. Boas intenções mal implementadas podem sair pela culatra, agravar o problema e subverter os resultados desejados.  Esse fenômeno é conhecido como Efeito Cobra. O […]

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A maneira como você escolhe os incentivos de um sistema de gestão determinará o comportamento que ele terá. Por isso, é essencial ter cautela quando implementamos métricas e indicadores nas empresas. Boas intenções mal implementadas podem sair pela culatra, agravar o problema e subverter os resultados desejados. 

Esse fenômeno é conhecido como Efeito Cobra.

O que é o Efeito Cobra?

O termo foi cunhado por Horst Siebert no final da década de 1990, em seu livro “Der Kobra-Effekt: Wie man Irrwege der Wirtschaftspolitik vermeidet” (O Efeito Cobra: Como Evitar Erros na Política Econômica). Siebert relata uma anedota ocorrida em Deli durante o período do domínio britânico:

  1. Para reduzir o número de cobras na cidade, o governo britânico ofereceu uma recompensa por cada cobra capturada.
  2. No entanto, algumas pessoas começaram a criar cobras para ganhar as recompensas, agravando ainda mais o problema.
  3. Ao perceber o abuso, o governo suspendeu o programa. Como resultado, os criadores liberaram as cobras no ambiente, o que aumentou ainda mais a população de serpentes.

Exemplos do Efeito Cobra no cotidiano

O mesmo fenômeno pode ser observado em empresas quando utilizamos métricas inadequadas/incompletas para medir desempenho, como:

  • Avaliar eficiência comercial apenas pelo número de novos leads gerados;
  • Medir o desempenho de serviços (como atendimento ao cliente, médicos ou bombeiros) apenas pelo número de chamados atendidos;
  • Avaliar a prosperidade de um país unicamente pelo PIB.

Como evitar o Efeito Cobra?

Para fugir dessa armadilha, é necessário expandir os modelos mentais e adotar práticas mais sofisticadas:

  1. Abandone o pensamento linear:
  • Adote uma visão ampla, considerando o impacto global das ações.
  • Tenha clareza sobre os resultados que o sistema deve gerar e os efeitos colaterais que podem surgir.
  1. Escolha métricas adequadas:
  • Priorize incentivos baseados em benefícios de longo prazo.
  • Evite medir o desempenho apenas pelo número de outputs gerados ou reduzidos.
  • Implemente métricas complementares que contemplem as consequências não intencionais causadas pelas métricas principais

Ao seguir esses passos, é possível criar sistemas mais equilibrados, capazes de promover resultados positivos sem gerar efeitos adversos inesperados. 

Afinal, boas intenções só têm valor quando acompanhadas de estratégias bem pensadas.

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