Apostas: conheça os maiores riscos psicológicos que elas causam e como evitá-los

A lei nº 13.756 de 2018 garantiu a legalidade para as casas de apostas esportivas. Por meio desta coluna, vamos discutir os impactos das apostas em nosso cérebro e desmentir alguns mitos em que os apostadores acabam caindo.  O primeiro ponto é: temos que entender que as apostas estimulam nosso cérebro semelhante ao modo que […]

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A lei nº 13.756 de 2018 garantiu a legalidade para as casas de apostas esportivas. Por meio desta coluna, vamos discutir os impactos das apostas em nosso cérebro e desmentir alguns mitos em que os apostadores acabam caindo. 

O primeiro ponto é: temos que entender que as apostas estimulam nosso cérebro semelhante ao modo que fazem os alimentos e as drogas. Mesmo sem ingerir nada, nosso cérebro é bombardeado por neurotransmissores quando apostamos, ou seja, a partir do momento que postamos nosso cérebro é estimulado, pois recebemos uma variedade de neurotransmissores no cérebro quando apostamos, deles se chama dopamina. Normalmente, esse neurotransmissor é benéfico, pois quando precisamos realizar algumas tarefas, é a dopamina que nos faz levantar e ir alcançar o que pretendemos alcançar; é ela que nos energiza, motiva e nos dá o foco que precisamos. 

No caso das apostas, quando temos êxito acontece um estímulo dopaminérgico; mas o grande problema é que quando perdemos também recebemos estas mesmas recompensas. Num geral, as casas de apostas nos entregam os chamados “bônus”: você deposita uma quantia mínima – ou mesmo só para fazer a conta – e eles te presenteiam com o bônus, que seria mais uma quantia de crédito ou dinheiro para você bancar seu início neste universo, para estimular seu cérebro com algumas vitórias e, consequentemente, o seu organismo receber essa dopamina. Então, quando você perde, já com seu cérebro “domesticado” pelas recompensas da vitória, ele memoriza essa sensação de prazer e quer este estímulo novamente, e para te motivar, ele libera mais dopamina. Resumidamente, você tem dopamina quando perde e quando sai vitorioso, por isso temos casos de vícios em jogos: porque estamos atrás de uma recompensa que já conhecemos – a maior parte dos vícios é assim, o cérebro memoriza as sensações de prazer, por esse motivo o ministério da saúde lançou uma campanha para prevenir o uso de crack no passado chamada “crack vicia na primeira vez”.

Um erro muito comum é cair na dita “falácia do jogador” – e isso também pode ser aplicado ao mercado financeiro. Imagine que você está jogando uma moeda para cima em uma disputa de cara ou coroa. Se você obtiver o resultado “cara” vinte vezes seguidas, qual a chance de você tirar “coroa” na próxima? Você acredita que seja maior? Muitas pessoas acreditam que sim, porém, a probabilidade continua sendo a mesma 50% para as duas. Segundo matemáticos, a sequência não altera em nada a probabilidade, os eventos são estatisticamente independentes, a chance continua sendo 50% mesmo caindo quinhentas ou cinco mil “caras” seguidas.

 Pesquisas recentes apontam que a produção de dopamina é maior durante a espera do resultado, em comparação com a vitória, tornando o comportamento de apostar ainda mais intenso no cérebro, neste ponto o jogador se apaixona pelo ato de apostar, pela movimentação cerebral de vários neurotransmissores, e não propriamente pelo ato de ganhar. 

Não se tratando de álcool e outras drogas o vício em apostas acaba se tornando menos visível, trazendo dificuldade para perceber o problema. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2016 a perda global anual dos apostadores foi estimada em US$ 400 bilhões. 

É importante ter um uso responsável e consciente das plataformas. No caso de vícios em apostas, assim como acontece com todos os problemas de saúde, é preciso encontrar tratamento médico, terapêutico e medicamentoso. Por fim, deixo aqui o lembrete de que pessoas com outros problemas psicológicos tendem a ser mais suscetíveis ao vício em apostas. 

Por: https://linktr.ee/GustavoKabelo

 

O conteúdo desta postagem é uma opinião pessoal e inteiramente de responsabilidade de seu autor, que por ser colunista, não necessariamente reflete a opinião de nosso veículo de imprensa.


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