Universidade Gratuita: apreensão em meio às instituições particulares
Não há dúvida de que é boa a proposta do projeto Universidade Gratuita, e não há, nenhuma contrariedade a ele, inclusive, de parte das instituições incorporadas à Associação de Mantenedoras Particulares de Educação Superior de Santa Catarina (Ampesc). Segundo o Governo, o projeto irá democratizar o acesso ao ensino superior no Estado, contribuindo para o […]
Não há dúvida de que é boa a proposta do projeto Universidade Gratuita, e não há, nenhuma contrariedade a ele, inclusive, de parte das instituições incorporadas à Associação de Mantenedoras Particulares de Educação Superior de Santa Catarina (Ampesc). Segundo o Governo, o projeto irá democratizar o acesso ao ensino superior no Estado, contribuindo para o desenvolvimento regional. O objetivo é oferecer até 75 mil vagas gratuitas em nível de graduação aos estudantes catarinenses nas universidades comunitárias da Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe). Até 2026, quando estiver totalmente implementado, o programa receberá investimentos de até R$ 1,2 bilhão e atenderá até 75 mil alunos. O projeto encontra-se em análise na Assembleia Legislativa e em breve deverá ser apreciado. Caso seja aprovado, entra em vigor já no segundo semestre deste ano, com a previsão de atender cerca de 30 mil estudantes de graduação, gratuitamente.
Qual a apreensão dos dirigentes das instituições particulares?No tocante ao artigo 171, alguns fatores podem prejudicar as instituições. Segundo Broering, os recursos não serão integrais para as bolsas de estudo, e sim, apenas a metade. Na prática, conforme segue explicando, as universidades particulares tinham este ano R$ 94 milhões, para bolsas de estudo e graduação. A partir da aprovação do Universidade Gratuita, as instituições particulares correm o risco de ficar com R$ 64 milhões, ou seja, R$ 30 milhões a menos, e com o agravante que não está sendo computado o crescimento do número de estudantes. O resultado será catastrófico e com enormes dificuldades para manter os acadêmicos, que por sua vez, não terão a garantia de vagas gratuitas, devido à limitação imposta pelo programa.
Ampesc não é contra o programaResumidamente, segundo analisa o reitor da Unifacvest, mesmo que haja uma garantia que as bolsas atuais serão mantidas, a preocupação é para com os futuros alunos. Ele cita, que se metade das instituições privadas fecharem as portas, e o risco existe, qual será o futuro? Como ficariam os 47 mil professores? Enfim, conclui dizendo que até foi possível conviver com os 10% do artigo 170, e também conviver com a divisão igualitária do artigo 171. Portanto, se for aprovado como está posto, o artigo 12 do projeto Universidade Gratuita, e os incisos 1, 2, e 3, as instituições particulares vão passar a receber 6,75% dos recursos, e vão perder o que foi construído nos últimos 20 anos.
Por Paulo Chagas
E-mail contato: pchagas61@gmail.com
Confira aqui a entrevista completa do reitor da Unifacvest, Giovani Broering