Aprovação do marco temporal na Câmara poderá ser revertida no Senado
Vem dos corredores do Congresso a informação de que a semana conturbada e de derrotas do Palácio do Planalto, podem ter outro desfecho no Senado. É o caso do Marco Temporal de demarcação das terras indígenas. A matéria, que estabelece que apenas as terras já ocupadas por povos indígenas em 5 de outubro de 1988, […]
Vem dos corredores do Congresso a informação de que a semana conturbada e de derrotas do Palácio do Planalto, podem ter outro desfecho no Senado. É o caso do Marco Temporal de demarcação das terras indígenas. A matéria, que estabelece que apenas as terras já ocupadas por povos indígenas em 5 de outubro de 1988, quando foi promulgada a Constituição Federal, poderão ter a demarcação reivindicada, numa conversa diferente entre os senadores. As negociações do Executivo passam pela liberação de emendas, e principalmente ao atrelo do próprio presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e sabe-se lá o que mais.
Revés ao GovernoA discussão real é sobre, afinal de contas, quem exatamente ganha com a revisão do texto que define constitucionalmente a demarcação de terras indígenas, ocupadas até o 5 de outubro de 1988. Dentro do Governo, a aprovação na Câmara é tida como um revés nas suas intenções, como se a insegurança jurídica no campo dentro do país, fosse algo natural e bom para todos os povos. Ou ainda um mero capricho da bancada do agronegócio. A preocupação do Executivo se revela, pelo fato de a aprovação do Marco Temporal ter tido o aval de deputados e partidos que compõem a base de Lula. Para se ter ideia, dos 283 deputados que votaram pela aprovação do texto, 98 deles pertencem a legendas que possuem cargos de primeiro escalão do governo. Por isso, o olhar se volta para o Senado, onde a questão poderá ser revertida, e tem um cenário mais favorável. Cenário este que dá certa tranquilidade, até mesmo para que aprove o nome do advogado Cristiano Zanin, indicado do Presidente ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Freio na tramitaçãoA oposição está ciente do novo processo que se avizinha dentro do Senado, sob as mãos do presidente Rodrigo Pacheco. Segundo apontam, o Presidente da Casa atua longe dos interesses da sociedade, e muito próximo do que quer o sistema, envolvendo a base de Lula e do próprio STF. Segundo o líder do governo, o senador Randolf Rodrigues (Sem partido), o governo irá esgotar o debate em relação ao tema. A oposição sustenta que o placar será mais apertado, mas ainda assim, favorável à manutenção da PL aprovada pelos deputados. No entanto, ressalta que o Planalto está agindo com forte articulação, com a abertura dos cofres e dos cargos. No contexto geral, o quadro é sombrio para a oposição, e basta observar o que vem sendo dito. O senador Carlos Viana (Podemos/MG), por exemplo afirma que Pacheco irá “enrolar” a tramitação, e dar a chance de a matéria não se aprovada. Enquanto isso, no dia 7 de junho, no Supremo Tribunal Federal, o julgamento da nova análise do Marco Temporal, acontece. É lá também, onde reside a possibilidade da vitória dos deputados semana passada, se acentuar para a desconstrução da ratificação Marco Temporal.