Pouco antes da meia-noite de sábado, dia 19, o senador Dário Berger divulgou um vídeo em que reforça o desejo de ser candidato a governador e disparou pesada bateria contra o presidente do MDB, deputado Celso Maldaner, ao dizer que se trata de uma direção desastrosa, nos últimos dois anos, que levou a sigla à maior crise interna da história no Estado.
Entre em nosso grupo e receba as notícias no seu celular. Clique aqui.
Visivelmente lendo o texto em um material que tinha edição, percepção que afasta um ato improvisado, o senador, antes de criticar, elogiou o partido e agradeceu seus filiados, a quem chamou de “amigos e amigas”, gesto que repetia a carta de despedida disparada durante a semana passada.
O argumento de Dário, que desistiu de participar da prévia – cancelada por uma costura feita pela bancada estadual e ocorreria na mesma data em que oficializa a saída do partido -, será seguir para o PSB, onde é aguardado, embora não seja explícito nos 2 minutos e 35 segundos de gravação.
O senador já era figura certa fora da sigla, que hoje ele considera “dividida e isolada”, primeiro porque não construiu um vínculo partidário, segundo porque vinha de dois fracassos retumbantes nas urnas, em 2018 e 2020.
Assista ao vídeo na íntegra:
Derrotas e derrotas 1
Na última eleição ao governo, depois de 10 anos de disputa interna contra o ex-governador Luiz Henrique e o ex-presidente emedebista Eduardo Pinho Moreira, Dário conseguiu que o comando chegasse às mãos do então deputado federal Mauro Mariani, apoiado entre outros pelo deputado Carlos Chiodini, agora o maior defensor da pré-candidatura do prefeito Antídio Lunelli.
A aventura custou vagas na Assembleia e na Câmara dos Deputados, ainda que o modelo admitisse a coligação na proporcional, mais um amargo terceiro lugar para Mariani ao governo, que, na condição de presidente estadual da legenda, ainda teve que assistir como única comemoração a vitória de Jorginho Mello (PL), que tem a viúva de Luiz Henrique, dona Ivete Appel da Silveira (MDB) como sua primeira suplente.
Derrotas e derrotas 2
Há pouco menos de dois anos, na eleição municipal, Dário perdeu em São José e em Florianópolis, cidades que ele administrou na sequência por 16 anos.
Na Capital, onde apoiou quem já foi uma de suas maiores rivais, a deputada Angela Amin (PP) à prefeitura, o fato não agradou e não mobilizou o MDB, e resultou em não ter emplacado vaga alguma na Câmara de Vereadores, já que não havia mais coligação na proporcional.
Isso só aumentou o desgaste de Dário no partido e o deixou longe, sem musculatura eleitoral e política, para aumentar a sua liderança ou influência e o poder de barganha para impor uma candidatura ao governo.
Sem turma do deixa disso
Mesmo que entrem em campo os bombeiros emedebistas, às vezes munidos de querosene para acabar com incêndios internos, para evitarem a saída, Dário já tomou a decisão e até avisou.
No último dia 20 de janeiro, o senador posou ao lado do presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, do ex-governador Márcio França, de São Paulo; e do ex-deputado Cláudio Vignatti, presidente estadual da legenda, na sede da sigla em Brasília, uma forma de dizer que tinha plano B, de PSB.
Divulgação
Especulasse que, com Dário, irá Mauro Mariani, que engrossaria a nominata a deputado federal socialista, maior objetivo dos partidos, que precisam de cadeiras para fugir da cláusula de desempenho e garantir tempo de rádio e TV com um naco maior dos fundos Partidário e Eleitoral.
O senador, que não esquenta banco em partido e até ficou bastante tempo no MDB, mais de 14 anos, virará oposição a Jair Bolsonaro (PL) e apoiará Lula (PT), de quem teria a promessa de virar ministro, caso não logre êxito no projeto ao governo, estratégia que depende de uma combinação com o eleitor, representando um salto e uma guinada à esquerda para o senador catarinense que já foi filiado ao PFL.