O encontro que mexeu com o imaginário brasileiro e deixou a impressão de uma aproximação casuística entre o ex-senador e governador Jorge Bornhausen e o advogado, ex-deputado e ex-todo-poderoso ministro da Casa Civil José Dirceu, do PT, teve menos peso político e limitou-se a uma apreciação geral do quadro nacional.
Quem confirma a conversa ocorrida em novembro passado, na Praia Brava, em Florianópolis, é o próprio Bornhausen, que garante que ele e Dirceu são amigos de longa data, desde quando era presidente do PFL e o ex-deputado comandava o PT nacional, em meio a um respeito mútuo.
O convite feito a Dirceu é porque o petista estava hospedado no mesmo condomínio onde reside o ex-senador, o Atlântico Sul, e, entre um copo e outro de uísque, os dois políticos de posições ideológicas antagônicas, um de direita e o outro de esquerda, fizeram uma apreciação geral do quadro nacional sobre as eleições de 2022, sem entrar em meandros, como classifica Bornhausen.
Imaginar que dois históricos articuladores adversários se sentam para dialogar, sem compromissos, pois apenas honram a tradição da boa conversa política, é quase um acinte ao momento de turbulência entre extremos ideológicos em que vivemos, marcado por ataques intermináveis de ódio e incompreensão.
Evidentemente, aguça a ideia de que ambos estivessem a maquinar algo ou que Lula necessitasse de apoio de setores da direita ou que a posição de Bolsonaro estivesse comprometida no cenário para o ano que vem, algo que não entrou, aparentemente, no rápido contato.
Longe do cenário
Jorge Bornhausen afirma que não tem qualquer ligação com o presidente Jair Bolsonaro (PL), tampouco com seus mais fiéis seguidores no Estado ou adversários de quilate.
Hoje, confirma Bornhausen, seu contato é com o ex-presidente Michel Temer (MDB), com quem almoça uma vez ao menos por mês, e hoje aponta como o responsável por deixar um legado de melhor gestão pública, herdado por Bolsonaro inclusive com o encaminhamento da Reforma da Previdência.
Só em abril
Bornhausen avalia que é muito cedo para se fazer qualquer projeção política sobre as eleições do na que vem, tanto em âmbito federal quanto no estadual.
Só depois de abril, passada a janela de trocas partidárias e de filiações, seja possível ter um quadro mais claro das reais situações dos postulantes à Presidência e ao governo.
Está bem
Perguntado sobre o ânimo de José Dirceu, condenado no mensalão do PT e petróleo por corrupção, além de ter sido cassado pela Câmara dos Deputados, Bornhausen afirma que o petista “está bem”.
Um forma de dizer que ele superou as crises pessoais e políticas pronto para o embate que virá na próxima eleição
SCGás rebate 1
O assessor da SCGás, Leonardo Estrella, fez algumas ponderações sobre a leitura feita pela coluna que considerou lacônica a nota da estatal sobre o reajuste de 50% no valor do Gás Natural, a partir de reajustes promovidos pela Petrobras, em de janeiro do ano que vem.
A SCGás explica que baseia a atuação na realidade do mercado de energia no mundo e no Brasil, já que todos os combustíveis estão passando por essa questão conjuntural.
SCGás rebate 2
A estatal catarinense alerta que o setor é operado por contratos e eles sofrem com essas variações dos indexadores internacionais sobre as commodities, mesmo que isso “não desabone, de forma alguma, esse importante papel de Estado em questionar o aumento”.
Nos cálculos da SCGGás para 2022, 71% do reflexo na tarifa média do gás natural praticada no Estado serão referentes ao custo do gás e seu transporte, 20% são impostos e 9% sobram para a concessionária promover os investimentos para atender novos mercados, clientes e regiões e para operar o sistema (redes de distribuição).