A incrível história do homem que construiu uma ilha e se declarou presidente
Essa é a história de um engenheiro muito do criativo que decide construir uma ilha em “águas internacionais” e declará-la como uma nação independente. Em 1968, Giorgio Rosa, um criativo engenheiro italiano, construiu uma plataforma marítima, ou seja, uma ilha, e fincá-la a míseros metros além do limite do mar territorial italiano (portanto, já em […]
Essa é a história de um engenheiro muito do criativo que decide construir uma ilha em “águas internacionais” e declará-la como uma nação independente. Em 1968, Giorgio Rosa, um criativo engenheiro italiano, construiu uma plataforma marítima, ou seja, uma ilha, e fincá-la a míseros metros além do limite do mar territorial italiano (portanto, já em “águas internacionais”, que, em tese, não pertencem a país algum), e proclamá-la uma nação independente, livre de regras e burocracias e se declarou presidente.
Os pilares que sustentavam a plataforma não foram preenchidos com água do mar, o que seria engenhoso demais mesmo para alguém tão criativo quanto Rosa, mas sim com o habitual concreto.
Qualquer um teria desistido do sonho na hora. Mas não ele. Perto dosgigantescos problemas gerados pela criação de uma ilha-nação à revelia dogoverno, aquele contratempo climático pouco significava. Giorgio perfurou o fundo do mar, com uma sonda, para captar água doce para a “ilha”, missão que foi bem-sucedida inclusive. A história de Giorgio virou um filme da Netflix, chamado “Ilha das Rosas”. Confira o trailer abaixo: https://youtu.be/753W2nrXH6U Para não estragar o prazer de quem ainda não viu o filme (embora, por ser um caso real, quem o conhece sabe bem como tudo terminou), convém não ir além desse ponto – além de alertar os que seguirem adiante com esta leitura de que parte do desfecho desta história será revelado. O governo italiano não gostou disso, assumiu o controle do local e literalmente a explodiu no ano seguinte. Mas, o que o filme não conta é que, secretamente, Giorgio tinha esperanças de conseguir extrair, petróleo, o que tornaria sua micronação fabulosamente rica. Além de ter sua ilha destruída pelo governo da Itália, Giorgio ainda teve que pagar as despesas da própria ação que a explodiu, o que ele fez, durante anos, com parte do salário de professor, profissão que passou a exercer ao perder a ilha.
O projeto completo da ilha previa uma espécie de edifício sobre o mar, com cinco andares. Mas apenas metade do primeiro foi feito e jamais terminado. Até porque, após entrar em atividade, a ilha-nação existiu durante apenas 55 dias.
A Ilha das Rosas não foi destruída numa só investida da Marinha Italiana, como o filme mostra. Ao contrário, foi preciso duas sequências de explosivos, ao longo de dois dias, para, ainda assim, apenas danificar a estrutura da plataforma – o que não deixou de ser um reconhecimento ao perfeito trabalho feito pelo engenheiro. O colapso final da obra foi provocado por uma tempestade, não pelos canhões do navio. Mesmo assim, durante meses, os restos da plataforma ficaram visíveis na superfície do Mar Adriático.
Para contar a história da Ilha das Rosas, como a criação de Rosa foi batizada, o diretor italiano Sydney Sibilia optou por construir uma réplica real da plataforma, inclusive no tamanho, de 400 metros quadrados, e filmar dentro de uma gigantesca piscina de mar represado, na ilha de Malta. Embora, no local, a profundidade fosse bem mais aceitável do que os 40 metros de profundidade de onde a ilha real foi assentada, as dificuldades nas gravações sobre o mar foram enormes – quase como uma reconstrução do sonho do engenheiro italiano.
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