No adeus a Júlia família busca pela justiça

A família de Júlia Volp, 20 anos, transexual que foi encontrada sem vida, em Florianópolis, fala que tem esperança que a justiça seja feita. Para a mãe, Janaina Rita da Silva, 35 anos, muitos fatos precisam ser esclarecidos. “Precisamos de explicações e queremos que o culpado seja punido”, disse Janaina indignada. Na próxima sexta-feira, 8 ela segue para Florianópolis, para buscar os pertencentes da filha e prestar depoimento na Delegacia de Polícia da capital.

No velório na manhã desta terça-feira, 5, o sentimento era de revolta. Devido ao avançado estado de decomposição, o sepultamento de Júlia que estava marcado para às 9 horas, aconteceu às 8h30, no Cemitério de Morro da Fumaça. “O grito de socorro foi muito forte, não podemos deixar isso passar em branco, afinal tirar uma vida é muito triste”, lamentou Vânio Tomé, amigo de Júlia.

Entenda

Janaina conta que Júlia saiu de Criciúma com uma amiga, na última quarta-feira, dia 29, com destino a Florianópolis. Segundo ela, a garota pegou o ônibus, às 16 horas e sua última visualização no whatsapp foi às 23h51 do mesmo dia. “Na quinta-feira fiz contato, ela não respondeu e comecei a me preocupar. Procurei o Bruno (namorado de Júlia) e por meio das redes sociais ele conseguiu contato da amiga com quem ela havia viajado, e ela nos confirmou o sumiço. Dias depois veio à notícia de que Júlia estava morta”, conta Janaina.

Júlia foi encontrada em um terreno baldio, no bairro dos Ingleses, mesmo local onde foi vista pela última vez. A mãe diz não entender como ela ficou cinco dias sumida, sem que ninguém tenha sentido a sua falta. Ainda segundo a mãe, ao reconhecer o corpo no Instituto Médico Legal (IML) de Florianópolis constatou marcas de agressões físicas. “Minha filha teve uma morte muito violenta”, disse emocionada. Ainda conforme Janaina, dos 700 euros que Júlia havia levado, uma parte sumiu. “Ainda não tenho certeza, mas foi o que me repassaram, sexta-feira vou conferir”, disse.

Agora, em meio a tanta dor Janaina diz que fica apenas com a lembrança do carinho e dedicação da filha. “Ela não tinha maldade, desde cedo entendemos a sua opção sexual e sempre apoiamos, mas tínhamos medo da vida que ela levava. A Júlia era corajosa, tanto que queria juntar novamente parte do dinheiro que havia perdido quando foi deportada. Ela agora iria trabalhar na Itália e conseguir o valor suficiente para fazer a cirurgia de mudança de sexo. Era o sonho dela que foi interrompido”, lamenta.

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