Hip hop aproxima os alunos da arte urbana

Alunos dos 6ºs anos (turmas 601 e 602) da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Padre Ludovico Coccolo do bairro São Luiz de Criciúma, tiveram nesta segunda-feira, 13 uma aula pra lá de diferente. Com a presença de Negro Rudhy, rapper, empresário e bacharel em ciências sociais, o grupo participou de uma palestra e oficina de rimas na própria sala de aula. Todos trabalharam a leitura e interpretação de poesias que foram transformadas em música, utilizando os conceitos de rimas e estrofes. O legal foi que a iniciativa mobilizou os estudantes a criarem versos a partir de temas sociais.

“Eu não escutava o rap porque sempre achei que as letras eram feias. Mas depois que conheci melhor, descobri que meu pensamento estava errado e que muitas músicas repassam sim, coisas legais”, revelou Amanda Venâncio Sabino, 12 anos, que junto com seu grupo criou uma letra que trata sobre preconceito. Já o estudante Alisson Júnior dos Santos, 12 anos, disse que o aprendizado fez com que tivesse um outro olhar sobre o rap. “Eu tenho até um dom de rima e achei a aula bem interessante”, destacou ele.

Todo este envolvimento fez parte do projeto “Cultura Hip Hop na Escola: aproximando os alunos da arte urbana, idealizado pela professora de artes, Julmara Goulart Sefstrom que trabalha com o tema desde o início do ano letivo. Segundo ela, a ideia era estudar os aspectos da cultura africana e suas contribuições para a cultura brasileira até que chegou ao rap, gênero musical que se insere no movimento hip hop. “Durante uma das aulas, um dos alunos me questionou se o hip hop veio da contribuição negra. Disse que sim, e a partir daí, o projeto tomou um novo rumo, pois senti o interesse da turma pelo assunto”, conta a professora.

Na tentativa de desmistificar o fato do rap ter sua origem na comunidade negra e pobre, diante disso ser considerado por algumas pessoas como arte e cultura inferior e marginal, a professora apresentou documentários e diversas músicas do gênero com letras bem construídas e com mensagens edificantes. “Uma delas foi a música “Como vai seu mundo” do rapper Dexter, a qual fala que o crime não compensa e que é possível mudar de vida para melhor, Gabriel O Pensador também foi apresentado para as turmas. Também assistimos ao clipe “Beco” de Negro Rudhy”, relata.

Julmara ainda conta que os alunos ficaram impressionados em saber que Negro Rudhy é de Florianópolis e vive na periferia. “Um dos meninos chegou a questionar “Floripa tem favela?” Também perguntaram se a “Moka” bairro onde a maioria deles residem é favela. Conversamos  sobre  o bairro ser uma área invadida, e surgiu a curiosidade da turma em conhecer a história do bairro”, informou a professora.

Ainda durante a atividade, a professora disse que percebeu que alguns alunos desmerecem sua realidade e seu local de origem. “Deste modo, a figura do rapper, que hoje faz sucesso com sua arte, faz faculdade e conseguiu visibilidade, é um modo de, além de  promover a construção de conhecimento, (objetivo essencial da escola) elevar a autoestima de nossos alunos”, destaca.

Um continente desconhecido

Durante as aulas uma surpresa chamou a atenção da professora. O fato de o diagnóstico da percepção que os alunos tinham com relação a  África por meio de escritos e desenhos era  que se tratava de um continente pobre, sem água, formado somente por desertos. “As turmas também desconheciam a estreita relação existente entre África e o Brasil. Com isso, mostrei imagens de pessoas negras em situação de pobreza, mostrei lindas praias e hotéis luxuosos da África do Sul e imagens de tribos africanas. Os alunos disseram que as imagens que se referiam à África eram as que representavam tribos, desertos e pobreza, desconhecendo que em países como a África do Sul há prédios e hotéis luxuosos, bem como praias. Desse modo, ia quebrando a imagem da África como algo negativo, e mostrando a diversidade do continente”, comentou a professora sobre a repercussão sobre o assunto.

Encantada pelo resultado positivo do projeto, a diretora Rosalba Rzatki, afirmou que hoje para a educação é importante trabalhar com o que está no convívio da criança. “Foi um trabalho que envolveu várias disciplinas e que colaborou muito no aprendizado. Os textos ficaram lindos e isso é emocionante, por ser atrativo. Sai da rotina do caderno, carteira e quadro e entra em cena a realidade deles. Isto facilita o aprendizado”, fala satisfeita.

Para conseguir trazer o rapper à escola a professora foi em busca de patrocínio : Loja Dete, Pegadas Calçados, Restaurante Central, Studio Elite Treinamento Personalizado, Mury Suf Shop, Secretaria de Educação de Criciúma, Unidade Academica de Humanidades, Ciências e Educação da Unesc, Padaria E restaurante Doce Pão e Platzfood Cardáopis Fitness Personalizados.

 

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