Há mais de 15 anos ela transforma a tatuagem em identidade

Aos 46 anos, Angela Maria Elias, natural de Forquilhinha, diz ter se reencontrado por meios das tatuagens

Aos 46 anos e um visual bem diferente, Angela Maria Elias, chama a atenção por onde passa. Isso por ter o rosto e parte do corpo coberto por tatuagens. E se você acha que ela sabe quantas tem? “Não faço ideia”, fala entre sorrisos. E ainda diz que nenhuma delas possui algum significado. “Na verdade, minhas tatuagens tem a ver com a minha vida. Um reencontro comigo mesma”, considera.

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Natural de Forquilhinha, e atualmente residindo em Criciúma, para Angela as motivações que levam uma pessoa a se tatuar são quase infinitas, mas em seu caso, garante que a tatuagem mudou sua vida. “Comecei a pesquisar e descobri pessoas que transformaram a vida com as tatuagens. Tinham uma vida que não era delas, e após a tatuagem mudou totalmente. Falo porque aconteceu comigo. Eu tinha um estilo padrão e não gostava daquilo. Gostava de coisas extravagantes, mas sempre com aquela ideia: – o que os outros vão pensar! Na verdade, sempre fui muito barrada”, diz.

Mais de 50 tatuagens

Enquanto algumas pessoas passam anos para escolher a “tatuagem perfeita”, Angela não sofre com essas indecisões. A primeira foi em 2007, um anjinho nas costas com o nome da filha. “Fiz por fazer. Depois achei muito delicadinha”, brinca. Em 2014, tatuou em um dos braços, uma índia; 2015, três arcanjos nas costas e parou. No final de 2017, voltou a se tatuar. “E assim começou”, revela.  Mas a realização total surgiu ao tatuar o rosto. “Parece que me reencontrei”, fala satisfeita e diz estar em seus planos tatuar a barriga, as pernas e investir no estilo conhecido como blackout.

O preconceito

Entre diversas histórias que coleciona de elogios e de preconceitos, recorda de uma situação num supermercado quando uma senhora colocou a mão em sua cabeça e começou a rezar. “Mas o que mais me chocou foi quando uma mulher não deixou o filho pequeno chegar perto de mim e o puxou. Deve ter me achado um monstro”, lamenta.  E comenta. “É assim mesmo, as pessoas olham, me param, querem tirar fotos. Me considero num patamar acima do que as pessoas pensam, no começo eu ficava triste, mas depois começava a me questionar e dizia: – Eu fiz isto por mim, e não por ninguém. Não me arrependo em momento algum”, desabafa.

Um sonho

Angela tem como projeto participar de concursos, exposições, congressos e feiras nesta área incentivada por um amigo tatuador. “Como brincadeira mostrei uma foto de uma mulher que tinha tatuagens na cabeça. Ele me desafiou dizendo que eu não teria coragem. Eu disse faria e colocamos em prática. A tatuagem vicia. E sou apaixonada por mim”, fala entre sorrisos.

E completa. “Meu sonho é de ter uma moto dessas de passeio e viver essa liberdade que existe dentro de mim, mostrar para as pessoas que viver hoje nesse mundo é um ato de coragem, e é preciso quebrar os padrões que a sociedade impõe”, finaliza.

 

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