EDITORIAL: por que um post de um PUB de Criciúma reflete com clareza mais um lockdown

Um post, ontem, feito por um PUB de Criciúma na rede social, pra mim, resume a importância que as pessoas dão quando o assunto é “consciência coletiva”. A arte postada e retirada do ar logo que começou a repercutir negativamente, chama as pessoas pra festa com o dizer: “Pré-Lockdown”, a partir das 16h, com DJ e tudo. Vem cá cara pálida, a decisão de fechar tudo, salvo serviços essenciais é para não aglomerar e a casa chama pra festa? Poderia dizer que é caso isolado se assim o visse, mas não, as pessoas querem voltar ao normal como se normal estivesse.

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NO INÍCIO EXÉRCITO EM CRICIÚMA E TERRA NA ENTRADA DO RINCÃO

Eu lembro com precisão do início da pandemia em nossa região. Acesso ao Balneário Rincão interrompido com caminhão de terra para ninguém entrar, pois parecia abertura de temporada. Exército nas ruas de Criciúma com estrutura ao lado do Hospital São José, comércio e indústria totalmente fechados e o debate nas redes sociais e entre amigos, analisando se isso era uma gripezinha ou não. Pois bem, o ano foi passando, e fomos nos acostumando. A vida precisava continuar. Medidas restritivas permitiam o voltar ao normal e voltamos. Claro que com o uso de máscaras, gel e o distanciamento social.

MORTES: “AH, MAS TINHA COMORBIDADE”

Até aí tudo bem, os números que assustavam no início não nos davam mais medo. O debate da morte era se tinha ou não comorbidade ou idade avançada, assim era considerada uma morte esperada. Triste, mas real em muitos pensamentos. A pandemia saí da esfera saúde e ciência e vai para a política, com acusações de grupos que defendem o governo A ou B. A ciência de nada adiantava indicar, mostrar e comprovar.  Até hoje, ainda se discute no mais alto escalão do País, se o uso da máscara é eficaz ou não, e se a vacina chinesa vai fazer isso ou aquilo com as pessoas. Lamentável.

QUATRO DATAS LEVARAM AO LOCKDOWN

Mas estávamos considerando normal viver entre o vírus, as mortes cada vez mais próximas da gente. Hora era parente, hora amigos. Mas precisávamos tocar a vida em frente. Mas vieram quatro datas: eleição; Natal; virado do ano e carnaval. Isso em três meses. Nós estávamos acostumados com o vírus, não tínhamos mais medo dele e fomos avançando, passo a passo. Um churrasco aqui, uma saída ali, um encontro lá e conquistamos a confiança. E foi esse excesso de confiança, pra mim, que nos leva hoje para um Lockdown.

GOVERNOS INEFICIENTES NOS CONSCIENTIZAR E EVITAR AGLOMERAÇÕES

Vejo as pessoas culpando os governos. Acredito que foram ineficientes em evitar aglomerações, conscientizar e garantir melhores estruturas de saúde, mas essa é a parte mais simples do “mea-culpa” que precisamos fazer. Pra mim, aquele POST reflete o hoje. Não adianta encher os hospitais de UTIs se você ver “pré-lockdown” como uma oportunidade de ir pra festa antes que feche tudo.

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