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Criança de Criciúma sofre ataque racista nas redes sociais; “Vi uma macaca se coçando”

Caso ganhou repercussão nas redes sociais durante este fim de semana

Uma criança de Criciúma, de apenas sete anos, sofreu um ataque racista na última sexta-feira, dia 18, nas redes sociais. A mãe da menina postou um vídeo da filha com um vestido da princesa Bela no story do Instagram. O que ela não imaginava é que alguém fizesse um comentário racista contra a criança; “Desculpa aí, mas vi uma macaca se coçando”.

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Segundo o pai da menina, Fabricio Silvério, a mulher apagou o comentário logo em seguida, mas a esposa conseguiu fazer uma foto da tela antes que a mulher apagasse. O caso tomou repercussão durante este fim de semana quando o casal decidiu divulgar no perfil do Instagram o ataque.

A família está muito abalada emocionalmente com o caso e quer fazer justiça. “A única coisa que consigo fazer é chorar. Nunca pensei passar por isso. Não vou deixar isso em branco, principalmente por ser minha filha que é inocente e não tem como se defender”, conta o pai emocionado.

Segundo Fabrício, a mulher ainda tentou se desculpar através das redes sociais, mas segundo ele, o argumento não foi válido. “A mulher contou uma história que dava para ver que não era verdadeira. Simplesmente só quero justiça, para que ela pague pelo que fez. Não só por ser minha filha, mas as pessoas têm que ter respeito pelo próximo. Queremos justiça”, explica o pai.

A família registrou um Boletim de Ocorrência no sábado e nesta segunda-feira, dia 21, vai prestar depoimento na Delegacia de Polícia Civil para iniciar o processo de investigação. A equipe de reportagem do Portal Litoral Sul tentou entrar em contato com a mulher que fez o comentário, mas as redes sociais foram desativadas.

Crime cometido

Segundo a advogada Flavia Pavei, o caso precisa ser avaliado através de um processo legal para identificar o crime. Mas tudo indica que o ato cometido pela mulher se caracteriza como injúria racial.

“Muitas pessoas têm a falsa impressão de que ofensas proferidas em redes sociais estariam impunes, o que não é verdade. Hoje é plenamente possível obter a identidade do agressor que se utiliza das redes sociais e se, ao final do processo o juiz entender pela condenação, há a punição pelo ato”, explica.

Ainda de acordo com a advogada, a pena pode ser de um a três anos de reclusão e multa, de acordo com o artigo 140, parágrafo 3º do Código Penal.

Caso ganha repercussão em SC

O caso ganhou repercussão em Santa Catarina. O influenciador e ativista negro Ed Rocha Jr, de Balneário Camboriú, divulgou um vídeo em suas redes sociais sobre o caso. “Nós seremos rede de apoio para essa criança e para a família dela, pois sabemos o quanto isso é complicado”, relata em vídeo.

A ativista negra de Içara, Beatriz Vargas, está acompanhando o caso e prestando apoio para a família de Fabrício. “Infelizmente isso acontece sempre. São pequenas agressões, falas e gestos. Como é tão comum, as pessoas pensam: “mas só chamou de macaca”, e não compreendem a gravidade do caso”, relata a ativista.

Segundo Beatriz, casos de ataques como esse que aconteceu com a criança são frequentes no dia a dia da pessoa negra. “Neguinho já é uma força de linguagem. Nego é uma coisa, não é um ser humano”, lamenta.

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