Confira quais problemas de saúde podem ser ocasionados pela fumaça em turfa

Desde a última segunda-feira, dia 22, moradores de Araranguá sofrem com as queimadas na localidade de Fundo Grande

Inalar fumaça proveniente das queimadas em turfas pode ser prejudicial à saúde. Desde a última segunda-feira, dia 22, moradores de Araranguá sofrem com as queimadas da turfa na localidade de Fundo Grande. Este já é o segundo incêndio em turfas em menos de 10 dias.

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O médico Pneumologista Renato Matos, explica que existem alguns problemas relacionados com a inalação da fumaça, que podem gerar sintomas mais leves, além de outros mais graves.

“O grau de comprometimento varia de acordo com o tempo de exposição e com a situação de cada pessoa. Quem não tem nenhuma doença crônica, geralmente vai ter sintomas mais leves, como irritação nos olhos, nariz e garganta. O problema é para quem já têm doenças crônicas, principalmente pulmonares. Essas pessoas em contato com a fumaça, terão uma complicação do seu caso, com mais tosse, falta de ar e mais chiado no peito”, explica o médico.

Para amenizar os riscos à saúde, o médico pneumologista ressalta que é importante evitar a proximidade com a fumaça. “As pessoas com doenças crônicas devem, dentro do possível, tentar se manter afastada dessa fumaça. Mesmo que com isso tenha que trocar temporariamente de domicilio”, pontua.

Nuvem de fumaça diminui

A nuvem de fumaça vista da região Sul nessa terça-feira, dia 23, proveniente das queimadas em turfas em Araranguá, diminuiu nesta quarta-feira. O Corpo de Bombeiros explica que, comparado com terça-feira, cerca de 95% das chamas já foram combatidas, diminuindo a fumaça.

Foto: Caroline Sartori

“Como ontem tinha muito vento Sul, levou a fumaça para a cidade, mas hoje não tem mais. O Corpo de Bombeiros segue monitorando o local e contamos com o auxílio de um drone, que está nos ajudando a acompanhar o andamento dos focos de incêndio. Mas acreditamos que mais uns dias e não haverá mais fogo”, explica o Sargento Jimmy do Batalhão do Corpo de Bombeiros de Araranguá.

O incêndio nas turfas iniciou na manhã dessa segunda-feira, dia 22, e a fumaça chamou a atenção dos moradores da região Sul. Este já é o segundo incêndio em turfas em menos de 10 dias. Entre os dias 14 e 17 deste mês, uma turfa localizada atrás da Capela Menino Jesus do Praga, em Araranguá, também pegou fogo.

Saiba o que é a turfa

A professora e geóloga Yasmine Cunha, coordenadora do curso de Geografia e do LabGeoRH da Unesc, explica o que é uma turfa e como ela é formada. “As turfeiras são habitats naturais com alto valor biológico. É um material de origem orgânica, resultante do acúmulo de vegetação que se forma nos fundos de antigas lagoas e pântanos. Esses materiais vão se decompondo em camadas e ficam soterrados por segmentos. Isso dificulta a decomposição do material orgânico, pois são ambientes com pouco oxigênio ou sem oxigenação. A partir da decomposição da matéria orgânica, pode se formar o metano que é altamente inflamável e se acumula no solo e pode alcançar vários metros de profundidade”, explica a professora.

Incêndio já dura três dias – Foto: Edson Padoin

A geóloga ainda esclarece como podem iniciar esses incêndios. “A turfa pode começar uma queimada de maneira natural, pela combustão de gás metano que está acumulado no seu interior. Ou ainda com a ação do homem, com descuido de alguém que queimou um lixo próximo ou cigarro. Por ser um material orgânico, altamente combustível, o combate é muito difícil”, conclui a especialista.

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