Busca pelo autoconhecimento cresce. Uma tendência de mudança de comportamento para estar mais perto da natureza

Os quilômetros de distância entre Manaus e Garopaba, vôos conexões, temperatura baixa (Amazônia nesta época do ano está 30º, sul de SC alcança 14º), não impediram o casal Tyohar Mamoud Amed 47 anos, Cibelli Amed de seguir os degraus da busca do autoconhecimento. Cinco dias de imersão nos ensinamentos de ioga, chackras, mudrás, kochas, no alto de uma montanha em Garopaba, rodeados de mata atlântica e na companhia de pessoas de todo o Brasil.

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O segmento de indivíduos em busca do bem-estar mental e o encontro consigo mesmo só cresce. Uma tendência de comportamento apontada por grandes empresas de pesquisas. Pesquisa “Estilos de Vida 2019”, realizada pela Nielsen, mostrou que 42% dos brasileiros estão mudando seus hábitos, para provocar menos impacto ao meio ambiente, ter mais contato com a natureza e com eles próprios.

Na pesquisa 10 Principais Tendências Globais de Consumo 2019, a Euromonitor mostra que o momento FOMO (Fear of Missing Out), do medo de ficar de fora de algo está se transformado para o JOMO (Joy of Missing Out), que é a alegria de não participar, ficar mais consigo mesmo e fazer o que gosta, e não do grupo. Esta mudança de postura indicada na pesquisa Euromonitor mostra uma busca pelo bem-estar mental e o encontro consigo mesmo.

Experiências autênticas

Os brasileiros buscam por experiências autênticas, afastando-se do materialismo em favor da simplicidade. Investir no autoconhecimento abre as portas para a evolução pessoal já considerado uma tendência mundial. Foi o que fez, o agora professor de artes, Leonardo Spirlandelli, 23 anos, do interior de São Paulo. Antes, fez curso de recursos humanos e trabalhou como vendedor, procurou na ioga a conexão com sua essência.

“Vim em busca de coragem. Estou passando por um momento de transição da minha vida, uma troca de profissão. Quero viver sem medo e me observar”, apontou depois de horas de meditação, asanas e aulas de respiração ao som de passarinhos e árvores ao vento num retiro na Montanha Encantada sobre introdução à yoga integrativa. Confessa ser inseguro e nos momentos de reflexão no retiro “senti mais comigo mesmo, senti meu corpo e me acalmei”, descreveu a experiência.

Filtro para os aspectos negativos

Para ele, o tempo que tirou para cuidar de si, serviu com um portal e um filtro dos aspectos negativos que costumam surgir na mente “Uma espécie de purificação acontece”. O casal de Manaus e o Leonardo se juntaram ao grupo que permaneceu cinco dias de imersão, com horários para internet, sem tv e alimentação mais natural, nada de álcool.

Também aulas teóricas e práticas sobre os Yamas e Niyamas (princípios éticos e observâncias); os cinco Koshas (corpos ou dimensões que compõe o Ser); os Chakras ( centros de energia); Pranayamas (movimentos respiratórios); e ainda oficinas de Asanas (posturas de Yoga). A professora Rosana Reginatto, da Montanha Encantada, esclarece que o curso de Introdução ao Yoga Integrativa é um portal, onde os praticantes podem acessar conteúdo internos através das práticas e da filosofia abordada.

Durante a imersão, os participantes tiveram práticas de mudrás, meditação, ayurveda e palestra sobre sutras, além de um passeio na trilha da Praia do Ouvidor, com vivência meditativa. A programação ainda contou com vivências noturnas com canto de mantras, danças circulares e cerimônia com as qualidades dos Chakras.

Levar para o cotidiano

A personal traine gaúcha, 28 anos, Juliane Carvalho, aos poucos vem transformando o seu cotidiano depois de um período sabático na montanha. “Tudo tem feito mais sentido agora na minha vida. Todas as situações que se apresentam, tudo que eu ouço e falo tem um outro tom. Estou tentando manter a prática e trabalhar os aspectos que vi dentro das vivências”, descreveu.

Joseph Le Page, estudioso e criador da yoga integrativa, com base no Hatha Yoga, tem a proposta de promover o bem-estar em todas as facetas que compõem a vida do ser, criando um alicerce que gradualmente restabelece o realinhamento consigo mesmo e com o mundo de relações que o cerca.

Outros e a sociedade patriarcal

Ana Beatriz Passos, 53 anos, enfermeira de Minas Gerais, tirou férias e partiu sozinha em busca da sua felicidade. “Essa procura é importante para mim. Tive uma vida inteira valorizando os outros. Chegou o momento de me valorizar e buscar a minha felicidade” afirmou.

Participou de dois cursos em Garopaba entre suas indagações o seu eu interior floresceu mais forte. “Como estou me comportando dentro do universo, do meu espaço social e comigo mesmo?” Na contramão da sociedade atual, Ana não tem filhos. “Sociedade patriarcal tida a regra através dos filhos, meus projetos são meus filhos”.

Numa única frase ela definiu seus dias de estar com ela mesma. “Minha felicidade está dentro de mim. Se estou feliz, eu convivo feliz”.

 

Colaboração: Tais Sutero

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